06/08/14

A ofensiva governamental contra o SNS

Continuam as denúncias e protestos por todo o País de utentes e profissionais de saúde em relação às crescentes dificuldades no acesso aos cuidados de saúde e à falta de condições para o cabal exercício da atividade médica e da enfermagem.
Restrições na dispensa de medicação mais adequada face à patologia de cada doente e no acesso a tratamentos, redução de consultas presenciais nos cuidados de saúde primários, acentuadas filas de espera para intervenções cirúrgicas, encerramento de unidades ou valências das mesmas integradas no SNS, falta de profissionais médicos nos centros de saúde ou extensões dos mesmos, falta de enfermeiros, pressões para redução de prescrição de medicamentos, tudo isto conduzindo à privação do direito à saúde consagrado no Constituição e, ainda mais grave, ao falecimento de utentes por falta de prontidão na assistência, devido às restrições e cortes cegos, com a agravante de mais casos poderem vir a ocorrer, o que representa um crime grave.
Ao contrário do que afirmam no executivo governamental e nos partidos que o sustentam (PSD e CDS) que «menos Estado é melhor Estado» ou que a privatização de empresas e sectores estratégicos, acompanhados pelo subfinanciamento crónico na Saúde, na Educação, na Segurança Social, não afetam a qualidade e a capacidade de resposta destes e doutros serviços públicos, tais como, Transportes, Justiça, Correios, a realidade do dia a dia demonstra exatamente o contrário. 
Estamos perante uma ofensiva com o objetivo de não somente desarticular o Estado Social, tal como está consagrado na Constituição, mas descaracterizar e subverter a natureza do próprio Estado e da Administração Pública que lhe é inerente, seguindo diretivas do capital e comunitárias para mercantilizar as Funções Sociais do Estado.
No caso da Saúde, o atual ministro e os anteriores sempre afirmaram, com ar pleno de seriedade, que as medidas por eles tomadas se integram na perspetiva de defesa do SNS, mas de facto continua a entrega de unidades ou serviços aos privados, para os quais a Saúde antes de ser um bem essencial ao ser humano representa uma oportunidade de chorudo negócio e eles já ocupam 40% do espaço deixado pelo público, dificultando o acesso dos utentes, encarecendo o sistema, provocando a promiscuidade entre público e privado e fazendo oscilar a política do medicamento de acordo com os interesses da indústria medicamentosa ou farmacêutica.
Os utentes conscientes destas realidades, têm resistido e lutado pelos seus legítimos direitos e interesses e também mostrado solidariedade para com os profissionais da Saúde, caso da última greve dos médicos e agora nesta iniciativa dos enfermeiros, na convicção de que um SNS de qualidade, universal, geral e tendencionalmente gratuito, conforme consagrado na Constituição, só é possível com a dedicação e profissionalismo dos que nele trabalham e tem sido prática corrente, mas com condições que permitam um bom desempenho e uma boa prestação de cuidados à população portuguesa.
05/08/2014 
MUSP-Movimento de Utentes dos Serviços Públicos

05/08/14

As politicas governamentais agravam as condições de acesso a cuidados de saúde e aumentam o sofrimento dos utentes!

O subfinanciamento crónico do SNS e as medidas de redução progressiva de serviços de saúde têm agravado, no Distrito e no País, as condições de acesso a cuidados de saúde.

Quer nos hospitais quer nos Centros e Extensões de Saúde faltam profissionais, material clínico e de manutenção, as instalações e equipamentos não têm manutenção ou não são substituídos.

O Governo na sua ânsia de cumprir os objectivos financeiros impostos pela banca internacional, faz por esquecer os compromissos que tem para com a população portuguesa que necessita de cuidados de saúde.

Na prática o Ministério da Saúde/Governo provoca sofrimento a utentes e famílias, não respeitando em muitos casos a dignidade e a própria vida humana.

Às estruturas de utentes compete denunciar as políticas governamentais e propor alternativas viáveis que respeitem as necessidades das populações.

Em Conferência de Imprensa, a 11 de Agosto de 2014, pelas 17,30 horas, frente ao Hospital de Santarém, o MUSP SANTARÉM (Movimento de Utentes dos Serviços Públicos do Distrito de Santarém) fará a análise do actual momento da prestação de cuidados de saúde, comentará as intenções governamentais para a redução de cuidados de saúde e reafirmará as suas propostas para o sector da saúde no Distrito de Santarém.

                                                     O Secretariado do MUSP SANTARÉM

Santarém, 5 Agosto de 014

01/08/14

Concessão/Privatização de Empresas Públicas de Transportes - Um atentado contra o direito das populações à mobilidade


O governo empenhado como está em promover e garantir os interesses e objetivos do capital nacional e internacional, apresta-se para lhes entregar um conjunto significativo de empresas públicas de transportes nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, com o apoio de ambas as Câmaras Municipais.
Tal intenção do governo, a par de um conjunto de outras já decididas e concretizadas, assume-se, na opinião do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos “MUSP”, como mais um ajuste de contas com uma importante conquista alcançada com a Revolução de Abril, pondo também em causa os seus próprios objetivos.
Considerando exemplos de privatizações já concretizadas de importantes e estratégicas empresas das diversas áreas de atividades, inclusive nos transportes públicos, não temos qualquer tipo de dúvidas que também, nesta situação, caso viesse a concretizar-se, os grandes beneficiários seriam os grupos económicos, com os incómodos e prejuízos de vária ordem (Aumentos dos títulos de transportes; supressão e encurtamento de carreiras; redução da oferta de transporte; maior isolamento das populações; degradação da qualidade dos serviços) a recaírem sobre as populações e trabalhadores, para além da própria economia nacional.
Lamentavelmente e em conformidade com o que é seu costume, o governo toma decisões de grande importância, quer estratégicas, quer económicas, para as populações, trabalhadores, regiões e país, sem qualquer tipo de contacto ou auscultação às Comissões de Utentes, organizações representativas dos trabalhadores e das próprias autarquias locais, numa demonstração clara e evidente de que o que importa e conta, neste como em outros processos idênticos, são os interesses e objetivos do capital privado e não os direitos dos utentes e trabalhadores e o interesse nacional.
Pela gravidade que a situação em causa representa para os utentes e trabalhadores e para o projeto de Abril, o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos MUSP permite-se exortar e apelar às populações, utentes, trabalhadores e suas organizações representativas para promoverem iniciativas e ações que tenham como objetivo o impedimento de ser concretizada a destruição de mais uma importante conquista de Abril.
Lisboa, 1 de agosto de 2014
Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP)

Contrariando Argumentos do Governo: A CP é viável

A Administração da Empresa Pública de Transportes CP apresentou recentemente às organizações representativas dos trabalhadores as contas relativas aos cinco primeiros meses do ano corrente cujos resultados contrariam em absoluto aqueles que são os argumentos do governo para a privatização da CP e de outras empresas públicas de transporte ferro ou rodoviária.
Com menos meios financeiros, com menos material circulante de qualidade e ainda com menos trabalhadores a CP conseguiu alcançar resultados muito importantes como são o aumento de passageiros transportados e das receitas, situações que revelam de forma clara e evidente que esta e outras empresas do Setor Empresarial do Estado são viáveis se a gestão das mesmas for feita de acordo com os interesses nacionais e com os direitos dos utentes e trabalhadores e não como habitualmente acontece em favor e benefício de interesses económicos privados nacionais e internacionais.
Os resultados apresentados dão razão à opinião que temos e reforçam as posições que em diversas ocasiões temos assumido enquanto Movimento de Utentes dos Serviços Públicos MUSP em defesa de serviços e empresas públicas como forma de serem garantidos os direitos sociais e laborais das populações e trabalhadores.
Lisboa, 1 de agosto de 2014
Movimento de Utentes dos Serviços Públicos MUSP

Todos contra a privatização dos transportes públicos

 
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