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20/04/15
02/11/14
Os utentes e a Escola Pública
A Escola Pública, funcionando
como está consagrado na Constituição da República Portuguesa (CRP), para além
de constituir um imperativo constitucional, é uma necessidade essencial para o
desenvolvimento económico e social do País. Por isso, os erros ocorridos no
início do ano escolar são indesculpáveis, e só muito dificilmente atribuíveis à
incompetência. Podem antes ser erros técnicos que encobrem orientações
políticas persistentes ao longo de vários governos visando degradar a escola
pública e abrir caminho e espaço à escola privada, elitista.
Independentemente dos juízos
políticos, sendo importantes e determinantes, os factos ocorridos com a
colocação dos Professores, apontam para o Governo atingir dois objectivos:
- Prosseguir degradação e
destruição das condições básicas para a viabilização da Escola Pública, universal,
geral e gratuita como a CRP consagra;
- Provocar um problema maior e
determinante impedindo a abertura do ano escolar, esconde-se todos os restantes
problemas, premeditados e implementados para dar um golpe decisivo na alteração
da Escola Pública.
Imagine-se que excepcionalmente
neste ano lectivo o concurso para colocação dos professores tinha ocorrido
exemplarmente, sem que algum professor tenha ficado prejudicado, nem escolas e
alunos sem professor: que realidade escolar haveria?
Durante os meses de Julho e
Agosto deste ano assistimos a numerosas manifestações de pais, alunos e
autarcas contra o encerramento dos infantários e escolas básicas que os
serviam, bem como contra o agrupamento de escolas e do aumento do número de
alunos por turma. Só no nosso distrito, de Santarém, encerraram em Setembro
dezenas de infantários e escolas básicas, noutros casos crianças passaram a ter
de fazer dezenas de quilómetros diariamente para frequentarem as aulas.
Notícias do fim de Agosto e
início de Setembro relatavam a dificuldade de muitas famílias suportarem os
custos da aquisição dos materiais escolares, de alunos que se insurgiram contra
o aumento das propinas, dos passes escolares, das refeições, da diminuição da
assistência social escolar. Notícias continuam a relatar que muitas crianças
chegam às escolas com fome.
Decisões políticas anteriores
levadas a cabo por sucessivos Governos, já tinham esvaziado o quadro de
auxiliares de educação substituindo profissionais especializados por pessoas
recrutadas eventual e precariamente nos Centros de Emprego, atribuindo às
direcções escolares o seu enquadramento e atribuição de funções, sem que para
isso lhes fossem fornecidos tempo e meios. Esta medida desastrosa contribuiu
decisivamente para o aumento da violência e absentismo escolares e influi
bastante no abandono escolar, para além de prejudicar todo o funcionamento das
escolas.
Para quem a vida alheia pode ser
usada como arma de arremesso para atingirem os seus objectivos, após
prejudicarem tantas famílias, para estes governantes prejudicar mais uns
milhares de professores, pressionando-os para quebrarem os vínculos contratuais
e abandonarem as suas carreiras é um «mal necessário» que está a funcionar como
um Buraco Negro que absorve a visibilidade de todos os problemas já existentes
e agora agravados com este problema maior, que é o de o ano escolar, passado
este tempo ainda não se ter iniciado em muitas escolas.
Distrito de Santarém, 23 de Outubro de 201417/07/14
NÃO AO ENCERRAMENTO DE ESCOLAS

O governo pretende encerrar mais 311 escolas a partir do dia 1 de
setembro, para além das 530 já encerradas desde 2012 e no prosseguimento dum
processo iniciado em 2002 com os anteriores governos, ou seja, PS, PSD e CDS
contribuíram até ao presente momento para o fecho de mais de 6500 escolas do 1º
ciclo do Ensino Básico, situação que constitui um ataque à Escola Pública e à
destruição da mesma.
Este encerramento faz parte do objetivo de privatização da Escola
Pública, pois é acompanhado pelo aumento de licenciamentos para novos colégios
privados financiados pelo Estado e integra-se no plano mais geral de eliminar
serviços de proximidade, à revelia das realidades concretas dos territórios e
sem atender aos objetivos fundamentais de desenvolvimento social e económico do
País e das suas respetivas regiões, como devia ser obrigação do governo.
As Regiões Centro e Norte são as mais atingidas e o distrito de Viseu é
onde o governo pretende encerrar mais escolas (57). Seguem-se Aveiro com 47
escolas e Porto com 41. Em todos os distritos há encerramento de escolas, em
muitos casos sem ter em conta a opinião das populações e dos autarcas.
Por todo o país, os pais, os autarcas e a população em geral
manifestaram o seu protesto e exigiram a manutenção da sua escola.
A luta ainda não terminou e vai continuar. Não podemos permitir que o
governo condene à morte muitas localidades, onde a escola era o único serviço
público ainda existente.
Por outro lado, os professores têm sido maltratados nas suas funções
com os concursos a gerar injustiças com sucessivas mudanças de regras para
pior, tudo isto e em conjunto afastando a Escola do conceito de desenvolvimento
integral das pessoas para dar lugar à primazia dos mercados e contrariando o
que está consagrado na Constituição da República.
Entretanto o MEC abriu um processo de negociação com alguns municípios
propondo a municipalização de escolas até ao ensino secundário.
Com as propostas conhecidas (o MEC propõe prémio para câmaras que
trabalhem com menos docentes do que os considerados necessários, por exemplo) a
degradação do ensino público vai ser uma realidade colocando mais fatores a
acentuar as desigualdades já hoje existentes.
O Movimento de Utentes dos Serviços Públicos tudo fará para que todos
tenham acesso a um ensino público de qualidade e que promova a igualdade e o
sucesso de todos.
16/07/2014
MUSP-
Movimento de Utentes dos Serviços Públicos
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