02/07/08

Documento entregue à Ministra da Saúde


Exma. Sra. Ministra da Saúde

Preocupações do Movimento de Utentes dos serviços Públicos – MUSP

Lisboa, 27 de Junho de 2008

Independentemente de terem ocorrido mudanças dos responsáveis políticos no Ministério da Saúde V. Exa. Substituiu o Dr. Correia de Campos, as orientações políticas essas não sofreram qualquer alteração continuando em nosso entender a privilegiar os interesses dos grupos económicos em claro prejuízo dos respectivos utentes e do próprio Serviço Nacional de Saúde.
Servem como exemplos para as preocupações que temos manifestado em conjunto com muitos milhares de cidadãos, o encerramento de maternidades, serviços de atendimento permanente, serviços de urgências, aumentos das taxas moderadoras e a criação de outras, aumentos dos medicamentos, criação das U.S.F., agravamentos dos custos da saúde e concessão de serviços a entidades públicas e privadas, listas de espera para consultas externas, intervenções cirúrgicas e de várias especialidades.
A maioria das situações descritas aconteceram ou acontecem na sequência de decisões políticas cujo objectivo prioritário é a redução da despesa pública para cumprimento do défice ordenado por Bruxelas sem ter em consideração os direitos dos utentes e a melhoria do funcionamento do Serviço Nacional de Saúde, dotando-o dos meios técnicos e humanos necessários para aumentar a sua capacidade de resposta às necessidades das populações e a qualidade dos serviços.
Como opção a tais investimentos e cedendo às pressões dos grupos económicos o Governo tem apostado claramente na privatização de áreas significativas dos serviços de saúde nomeadamente as geradoras de lucros, continuando na órbita do sector público as não rentáveis, permitindo tais cedências que à custa da saúde dos portugueses e da própria economia nacional sejam feitos chamados negócios como é o caso do Hospital Amadora/Sintra.
São estes para além de muitos outros os problemas que preocupam quer o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos – MUSP quer os muitos milhares de cidadãos que de Norte a Sul do país têm promovido muitas acções e iniciativas de protesto e reivindicação ora lutando contra o encerramento ou redução do horário de funcionamento de serviços ora exigindo a reabertura de outros entretanto encerrados ou lutando ainda pela construção ou conclusão de instalações há muito prometidas mas constantemente adiadas.
Face ao exposto e à necessidade de em conjunto discutirmos e abordarmos estes problemas com o objectivo de serem encontradas soluções para salvaguardar os direitos dos utentes do SNS e do próprio, que voltamos a insistir na marcação de uma reunião.
Com os melhores cumprimentos, somos

Grupo Permanente do MUSP

27/05/08

Consumo das famílias reduz para níveis preocupantes

Lisboa, 27 de Maio de 2008

Devido aos baixos salários, valores das reformas e pensões e aos sucessivos aumentos dos bens e serviços a maioria das famílias portuguesas vêem-se obrigadas a reduzir os seus consumos, bens alimentares incluídos e vêem aumentar consideravelmente as suas dificuldades para saldarem compromissos financeiros assumidos nomeadamente empréstimos bancários.
Quando os combustíveis aumentam quase todos os dias, quando os aumentos do leite, arroz, óleos, massas e farinhas atingem no ano de 2007 valores percentuais de 74%, 71%, 36%, 34% e 24% respectivamente.
Quando a somar a estes aumentos o país importa entre 60% a 80% de produtos para a alimentação, 80% de cereais e 45% de arroz e o que oferecem aos agricultores são subsídios para não produzirem, é evidente que o resultado só pode ser o que referimos.
Todas estas situações acontecem porque os anteriores e actual Governo têm produzido políticas de direita e de pura capitulação perante as exigências e interesses dos grandes países europeus que ditam leis a partir de Bruxelas e do capital português representado por grandes grupos económicos cujo objectivo do lucro não tem limites à custa dos sacrifícios da maioria dos portugueses e da própria economia nacional.
Como não acreditamos que nem o Governo empenhado como está em entregar a encomenda com o produto exigido pelo capital nem o próprio Presidente da República que também se identifica com o mesmo tomem decisões que se impõem para que as populações e trabalhadores vejam salvaguardados os seus direitos através de melhor e maior justiça social, compete na nossa opinião às respectivas populações e trabalhadores desenvolverem iniciativas e acções de protesto, indignação e reivindicação com o objectivo de que os mesmos sejam garantidos em conformidade com a Constituição da República Portuguesa.

Grupo Permanente do MUSP

Acções de Reivindicação e Protesto

Lisboa, 23 de Maio de 2008

Considerando a grave situação porque passam a grande maioria das famílias portuguesas por culpa de políticas erradas aplicadas pelos anteriores e actual Governo decidiu a Comissão Dinamizadora do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos – MUSP na sua última reunião promover algumas acções a acontecerem em meados de Junho contra os aumentos do custo de vida, combustível e transportes. Será de âmbito nacional, em moldes e locais que oportunamente vamos informar.
Em Setembro acontecerá uma outra cujo objectivo é a defesa do SNS.
Decidiu a mesma Comissão Manifestar total apoio à convocação pela CGTP – IN da Grande Manifestação Nacional do dia 05 de Junho próximo em Lisboa e apelar às Comissões de Utentes para participarem na mesma.

Grupo Permanente do MUSP









07/05/08

Custo de Vida continua a aumentar

Lisboa, 2 de Maio de 2008

Devido ao continuado aumento dos preços dos combustíveis desde o mês de Janeiro até agora aumentou 14 vezes e dos bens e serviços de primeira necessidade o custo de vida facilmente absorve os baixos salários, pensões e reformas auferidas por trabalhadores, pensionistas e reformados fazendo com que sejam cada vez mais os cidadãos e famílias que vivem em condições de pobreza extrema, situação que obriga a que muitos destes cidadãos e famílias recorram mais do que uma vez por mês a instituições diversas e ao próprio Banco Alimentar em busca de bens alimentares e de outro tipo de apoios.
Quando esta realidade indesmentível é testemunhada por relatos de situações concretas que diariamente são tornadas públicas através da comunicação social ou mesmo por situações que acontecem no mesmo prédio, rua ou localidade em que vivemos é ver ministros, secretários de estado ou ainda aqueles que são pagos principescamente para não falarem verdade, dizerem que o país está no bom caminho e que tudo o que tem sido e está a ser feito é para benefício e bem-estar dos trabalhadores e do povo, nada mais falso e cínico do que tais afirmações.
Em contraponto com essas afirmações ao que a maioria dos portugueses assiste devido às políticas de direita que o actual Governo pratica é o ao aumento do desemprego, da precariedade e da pobreza, ao acentuar das desigualdades sociais com implicações gravíssimas ao nível do endividamento das famílias, situações que devido à gravidade que representam para os trabalhadores e o povo têm de ser combatidas por estes através de acções de protesto e luta com o objectivo de as mesmas serem alteradas.

Grupo Permanente do MUSP





Ratificação do Tratado de Lisboa

Lisboa, 23 de Abril de 2008

O Governo do PS/Sócrates fazendo tábua rasa dos compromissos que assumiu e das promessas que fez aos trabalhadores e ao povo e em clara capitulação face aos interesses dos países mais ricos e poderosos da Europa e dos grupos económicos que representam os interesses do grande capital português, propõe-se hoje mesmo ratificar através da Assembleia da República o denominado Tratado de Lisboa cujo conteúdo representa para os trabalhadores e povo português questões gravíssimas ao nível laboral, soberania e independência nacionais.
Como é possível ao Governo ratificar um Tratado que contempla tão graves quanto preocupantes situações sem consultar o povo português através do voto, este procedimento define com evidência que interesses o mesmo defende e que objectivos perseguem as políticas que desenvolve.
Considerando que a posição assumida pelo Governo não defende os interesses e os direitos dos trabalhadores e do povo, nem a soberania e independência nacionais antes os e as hipoteca, o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos – MUSP manifesta-se contra a ratificação do Tratado de Lisboa pela Assembleia da República, solidarizando-se com a acção que a CGTP-IN está hoje a realizar em Lisboa contra a mesma ratificação.

Grupo Permanente do MUSP

26/03/08

Acção Nacional em Defesa do Serviço Nacional de Saúde, dos direitos dos seus Utentes e dos Profissionais de Saúde

A operação de cosmética verificada no Governo com a substituição do Ministro da Saúde, em grande medida devido ao inúmeros e insistentes protestos protagonizados por utentes e profissionais da saúde de Norte a Sul do país, não trouxe nenhuma alteração à política de saúde como tem sido confirmado pela nova Ministra.
No essencial, o conjunto das decisões tomadas nas últimas semanas configuram uma estratégia de prosseguimento das orientações até agora seguidas com consequências graves para o SNS.
Com o argumento da melhoria da qualidade, economia de recursos, melhoria da qualidade dos serviços para os utentes, garantia de acesso aos cuidados de saúde o Governo tem vindo a concretizar um conjunto de medidas visando a destruição do SNS entregando aos grupos económicos com interesses no sector os meios necessários para o êxito no negócio.
A mudança de última hora relativamente à gestão do Amadora/Sintra e à decisão de não entregar a gestão clínica a privados nos novos hospitais, não é o resultado de qualquer alteração de fundo nos compromissos que têm vindo a ser assumidos com os grupos privados da saúde, mas tão somente o resultado de uma distribuição do “mercado” que tem vindo a ser meticulosamente acertada entre o Governo e os grupos privados. A confirmar aí estão os investimentos licenciados pelo Governo na área hospitalar e nos cuidados primários.
Para que esta medida fosse consequente era também necessário acabar de vez com as PPP’s e fazer reverter para o sector empresarial do Estado todos os actuais hospitais EPE, uma vez que estes estão a promover a competição entre hospitais públicos com o degradar dos serviços em recursos humanos.
Esta política de desresponsabilização do Estado está na origem das dificuldades de acesso aos serviços de saúde e na perda de qualidade que se tem vindo a fazer sentir em muitos serviços com consequências que só não são mais gravosas devido ao empenhamento e qualidade da grande maioria dos profissionais.
O encerramento de um conjunto muito diversificado de serviços de proximidade sem que antes tenham sido criadas alternativas credíveis: o agravamento no funcionamento das urgências hospitalares, em grande medida devido ao encerramento de SAP’s, à privatização de serviços dentro dos hospitais e à não rentabilização dos meios disponíveis no SNS; a valorização da medicina curativa em detrimento da preventiva; o não investimento na área da saúde mental e a decisão de vir a encerrar alguns hospitais psiquiátricos por razões meramente economicistas, são apenas algumas das medidas que o Governo do PS tem vindo a concretizar e que têm resultado em maiores dificuldades de acesso pelos utentes aos cuidados de saúde e em piores condições de trabalho para os profissionais da saúde.
É neste quadro de grandes dificuldades, com a consciência de que se o Governo não for impedido de continuar com políticas que não correspondem aos legítimos anseios e direitos dos utentes e dos profissionais da saúde, antes se integram no objectivo dos grandes grupos económicos que apostam na saúde como um negócio e não um direito que o Movimento Cívico em Defesa do SNS decidiu avançar com uma acção nacional de luta, descentralizada na sua concretização por distritos/ou concelhos a ter lugar no próximo dia 5 de Abril cujos locais, horas e moldes em que vão decorrer serão oportunamente divulgados.
Porque é um imperativo nacional travar esta política e garantir o cumprimento do preceito constitucional que obriga o Estado em garantir o acesso à saúde a todos os portugueses, independentemente das suas condições socio-económicas, apelamos ao nosso povo que se associe a esta acção de luta.

Movimento Cívico em Defesa do SNS
Lisboa, 25 de Março de 2008






15/01/08

Aumentos dos custos dos bens e serviços essenciais anunciados para o ano de 2008 vão agravar ainda mais as condições de vida da grande maioria dos por

Lisboa, 4 de Janeiro de 2008

Os valores dos aumentos anunciados para o início do ano em que acabámos de entrar dos custos dos bens e serviços considerados de primeira necessidade superam em muito os valores dos aumentos salariais e da inflação previstos para o mesmo ano.
De 2002 a 2007 a generalidade dos transportes públicos aumentarem em cerca de mais 30%, com os rodoviários e ferroviários a assumirem os maiores aumentos, mais de 30% e 50% respectivamente, aumentaram agora em mais 3,9% e não é líquido que durante o ano não voltem a aumentar, a electricidade aumenta em cerca de 3% no Continente, 2,6% nos Açores e 4,9% na Madeira, o gás canalizado aumenta entre 1,8% e 3,6%, conforme, as zonas e o de garrafa aumentou entre Setembro e Dezembro cerca de 3 euros por garrafa (equivalente a 600 escudos), os combustíveis não param de aumentar nos últimos 5/6 anos subiram mais de 25%, os telefones e a água também vão aumentar não se sabendo ainda quanto, o leite vai aumentar em 30%, o pão entre 10% a 15%, as taxas moderadoras e as de internamento e tratamento ambulatório em mais 2,1%, as urgências hospitalares em 4% e as portagens das auto-estradas em 2,6%, os juros bancários aumentaram durante o ano de 2007 25%, também as rendas do aluguer de casa subiram.
Para além dos aumentos que referimos outros vão acontecer, nomeadamente os medicamentos, actos médicos e outros produtos alimentares.
Com os aumentos anunciados é evidente que a grande maioria dos portugueses e respectivas famílias vão ver durante o ano de 2008 agravar-se consideravelmente o seu já fraco poder de compra comparado com a maioria dos países da União Europeia, aumentando também as já limitadas condições e qualidade de vida, contribuindo ainda para o aumento da pobreza que já hoje atinge mais de dois milhões de portugueses/as.
ÞV.F.F.
Contrariando a mensagem de Natal idílica e cor-de-rosa proferida pelo Primeiro Ministro aquelas sim, são as duras realidades que a grande maioria dos portugueses/as vivem no seu dia a dia agravadas ainda pelo aumento do desemprego e do trabalho precário, da diminuição das liberdades de expressão e manifestação, encerramento de escolas e jardins de infância, maternidades e outros serviços de saúde, mais postos e estações de correios para além do encurtamento e supressão de carreiras e percursos dos diversos transportes públicos.
Sintetizando, esta é a política que o Governo do partido Socialista que cinicamente se continua a auto-intitular de esquerda faz, política que no fundamental serve na perfeição as exigências os interesses e os desejos dos grandes grupos económicos e financeiros em prejuízo claro dos portugueses/as de menores recursos económicos.
Por estarmos liminarmente contra esta política que aumenta a carga fiscal sobre os trabalhadores/as por conta de outrém e dos reformados e a reduz ao grande capital, que acentua as desigualdades sociais e aumenta as assimetrias regionais, que empurra cada vez mais portugueses/as para os mais baixos níveis do limiar da pobreza, permite-se o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos – MUSP exortar todos aqueles que têm sentido enquanto trabalhadores e utentes dos serviços públicos os malefícios causados por esta política a manifestarem-se a título individual ou integrados em movimentos ou outras estruturas o seu protesto, a sua indignação e oposição a este Governo e a esta política de cariz deliberadamente anti-social.


Grupo Permanente do MUSP







7º Encontro Nacional das Comissões e Associações

Resolução


1 – Introdução
Por culpa das políticas desastrosas que os sucessivos Governos particularmente o actual têm sistematicamente optado por desenvolver para a área dos Serviços Públicos, vamos realizar mais um Encontro Nacional, no caso o 7º, num período de grande tensão e preocupação, expressas de forma bastante evidente através de muitas acções de protesto, indignação e reivindicação que utentes e trabalhadores do sector público têm realizado de Norte a Sul do país.
Esta política que o Governo nos pretende impor a todo o custo assenta em dois pilares manifestamente prejudiciais para a maioria dos portugueses, o primeiro numa clara e obstinada obsessão pelo cumprimento do pacto de estabilidade financeira imposto a partir de Bruxelas, o segundo numa não menos clara capitulação política face aos interesses e exigências dos grandes grupos económicos que têm como objectivo a apropriação dos serviços públicos mais rentáveis.
É neste contexto político, muito grave para o futuro da maioria dos portugueses que o Movimento de Utentes, a par de outras organizações sociais e políticas tem tentado através do protesto, da reivindicação e da apresentação de propostas barrar o caminho à degradação dos serviços públicos, assumindo-se a realização do 7º Encontro Nacional como um marco importante para defender, garantir e alargar os direitos dos utentes dos serviços públicos, questão essencial para aumentar os níveis da qualidade de vida e bem estar social.
O aparecimento de novas Comissões de Utentes, nomeadamente ao nível das áreas da saúde e da educação são um sinal claro de que as populações reconhecem como válido o trabalho que temos realizado. Tal reconhecimento responsabiliza-nos a encontrarmos as formas e os meios que criem as condições para, onde for possível o melhorarmos, possivelmente à custa da troca de experiências e opiniões entre as Comissões e outras organizações de outras áreas de intervenção, potenciando uma maior participação dos utentes.

2 – A Evolução dos Serviços Públicos em 2007
Fruto das políticas neo-liberais do Governo acentuou-se a tendência para a desresponsabilização do Estado nas áreas sociais e de prestação de serviços públicos.
No presente a aplicação das medidas governamentais acarreta enormes e graves prejuízos para os utentes, ao mesmo tempo que vai criando o caldo de cultura para que os serviços mais rentáveis sejam entregues a grupos económico financeiros.
Esta estratégia política da responsabilidade do actual e anteriores governos é defendida com o argumento da inevitabilidade da sua aplicação, devido a directrizes da responsabilidade da União Europeia. Então se é assim perguntamos que interesses nacionais tem o Governo defendido e, para além deles, os próprios partidos (PS – PSD – CDS) no parlamento europeu onde têm eleitos, se não as directivas consideradas na Resolução da Estratégia de Lisboa e do Livro Verde Sobre Serviços de Interesse Geral, matérias referenciadas na Directiva Bolkenstein.
Não está provado em nenhum sector que a detenção do capital e a prática de
gestão pelos privados, seja sinónimo de melhores serviços e mais baratos. A caracterização dos serviços públicos que a seguir fazemos prova precisamente o contrário.
Enquanto isso, no sector público, apesar de haver situações a corrigir, existem bons exemplos que, com aproveitamento de instalações, equipamentos, tecnologia de ponta, boa organização de serviços e com o empenho dos trabalhadores oferecem aos utentes serviços de excelência.

De seguida procedemos à caracterização dos serviços referidos, sector a sector.

2.1. Caracterização Sectorial
2.1.1Saúde
As políticas para a área da saúde que o Governo de forma insensível e autoritária tem desenvolvido através do Ministério da Tutela, com o argumento da melhoria da sua qualidade, economia de recursos financeiros e técnicos, melhores serviços para os utentes e garantia de acesso a mais e melhores cuidados de saúde, têm tido como objectivo entregar aos grupos económicos e financeiros com interesses instalados nesta área, serviços para estes fazerem negócio à custa da saúde dos portugueses.
Com a aplicação de tais medidas O Governo visa mercantilizar o bem saúde, transformando-o num privilégio de ou para alguns em detrimento de ser um direito Universal de todos no âmbito do Serviço Nacional de Saúde, como aliás está consagrado na Constituição da República Portuguesa.
Apesar de todas as dificuldades e obstáculos, o SNS contribuiu para importantes ganhos em saúde registados em Portugal, conforme o atesta o 12º. Lugar atribuído pela Organização Mundial da Saúde.
O encerramento de unidades e serviços de saúde de forma indiscriminada e com falsos argumentos, cujas consequências mais graves se fazem sentir ao nível das zonas mais interiores e afastadas dos centros urbanos, só vêm aumentar as dificuldades de acesso aos serviços de saúde dos mais carenciados e a um maior isolamento de quem reside nestas zonas. Estas medidas, ao invés do que é referido pelo Governo, não reduzem custos antes os aumentam e, as soluções encontradas para substituir serviços encerrados não dão resposta e agravam as necessidades das populações.
O sector público continua a ser determinante, em qualidade e quantidade, na garantia de condições de igualdade de acesso a cuidados de saúde. Tal não se verifica, por exemplo, na oferta seguradora dos privados onde não são aceites “clientes” com doenças crónicas ou com mais de 65 anos.
Também o reduzido investimento feito ao longo dos anos na área dos cuidados de saúde primários em favorecimento da aposta no tratamento da doença tem agravado as já deficitárias situações existentes nos centros de saúde, limitando o apoio domiciliário que é necessário prestar a determinados doentes particularmente os mais idosos e carenciados, sendo estas responsabilidades transferidas do SNS para os grupos privados, permitindo o Governo que também nesta área seja feito negócio à custa de lares e residências de luxo, alguns de qualidade duvidosa.
Na área dos medicamentos a política do Governo não é diferente, transferindo mais custos para os utentes desresponsabilizando o Estado das obrigações a que está sujeito.
Os preços dos medicamentos em Portugal, regra geral, são muito elevados e a comparticipação do Estado nos seus custos é baixa, o que obriga a que os utentes suportem encargos muito elevados, situação que em muitos casos impede doentes de os adquirirem por dificuldades económicas.
A juntar a estas situações o Governo, em claro benefício da Indústria farmacêutica, assinou com a Apifarma um acordo que determina uma receita mínima de lucro e proíbe a baixa de custos dos medicamentos até ao ano de 2009, prejudicando o interesse público.
Nos custos de aquisição dos medicamentos genéricos, o Governo permitiu que fosse introduzido um novo escalão que reduz de 35% para 20% a diferença entre estes e os medicamentos de marca, também aqui com os prejuízos a recaírem sobre os doentes devido à subida continuada dos custos.
O princípio do utilizador/pagador, adoptado como regra por este Governo, conduziu a que já hoje os portugueses paguem cerca de 40% nas despesas com a saúde, enquanto no resto da Europa os governos suportam em média 78% a 85% dos custos.

2.1.2 Transportes Públicos
No sector dos transportes no período de tempo que decorreu entre o 6º e o 7º Encontros não houve alterações significativas, mantendo-se, regra geral, as situações que na anterior Resolução nós reclamávamos ser urgente e necessário alterar para aumentar a mobilidade dos utentes este objectivo visava incentivar a utilização do transporte colectivo por muitos dos utentes que passaram a utilizar transporte próprio com os inerentes problemas de ordem económica e ambiental para o país.
Os problemas que continuam a persistir neste sector não promovem a aproximação das regiões, a mobilidade das pessoas e o necessário desenvolvimento do país, o facto de o Governo fazer cada vez mais cedências aos interesses dos grupos económicos deste sector, ao não optimizar os meios disponíveis para implementar um sistema articulado de transportes, ao não forçar que as empresas cumpram os percursos estabelecidos nos contratos de concessão ao aceitar o argumento de que há carreiras que não são rentáveis são factores de evidentes e graves transtornos que prejudicam os utentes.
As medidas governamentais apontam claramente para a aplicação do princípio do utilizador/pagador, alienando por completo a componente social do serviço público de transportes, de que é exemplo as tentativas de acabar com o passe intermodal, se fossem concretizadas estas medidas, a mobilidade dos utentes, seria drasticamente limitada.
São exemplos de desprezo pelos utentes os casos concretos da alteração das carreiras dos transportes colectivos das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, o não cumprimento de prazos pela Refer nos casos do Túnel do Rossio, modernização da Linha de Sintra e electrificação da Linha do Sado.
Os projectos de grande dimensão anunciados pelo Governo (TGV e novo aeroporto de Lisboa) não podem ser impeditivos que se eliminem as assimetrias existentes entre as regiões do país, com influência directa para o desenvolvimento do mesmo.
O Governo, com o objectivo de beneficiar os interesses dos grupos económicos, pretende entregar-lhes a exploração dos novos equipamentos, nomeadamente pela privatização de empresass públicas portuguesas.

2.1.3 Acessibilidades e Mobilidade
Não foi possível, como era nosso objectivo, concluir ainda a análise às respostas contidas no inquérito que enviámos às Juntas de Freguesia e que muitas já nos devolveram devidamente preenchidos.
Esta falha contudo não pode impedir que manifestemos também nesta área as preocupações que temos face à situação de completo abandono a que muitas áreas do país e muitos milhares de cidadãos aí residentes são votados, por falta de infra-estruturas básicas, pela supressão de transportes e encerramento de serviços públicos, obrigando a que, em muitos casos, esses cidadãos de recursos financeiros reduzidos, de idades avançadas e mesmo crianças em idade escolar, saiam de casa de manhã cedo e regressem a horas bastante tardias depois de tratarem de assuntos diversos ou frequentarem as escolas, situações que levam a que muitas vezes os mesmos optem por não se deslocarem, acarretando problemas de vária ordem, nomeadamente o abandono e insucesso escolar ao nível das crianças e problemas de saúde e outros ao nível dos mais idosos.
Face aos problemas que estas situações comportam deverá impor-se ao Governo que sejam tomadas decisões políticas de salvaguarda ao direito à mobilidade e à deslocação que estes cidadãos têm, nomeadamente à não introdução do pagamento de taxas em troços das diversas auto-estradas que servem essas regiões, exigência que terá de merecer por parte das respectivas populações, uma permanente e redobrada atenção, como aliás já aconteceu com o êxito que se conhece.

2.1.4 Correios e Telecomunicações
De acordo com as orientações da UE, o Governo português mantém actual a intenção da total privatização dos serviços de correio, processo entretanto interrompido devido às reacções negativas manifestadas por algumas autarquias, Comissões de Utentes e populações que, de forma organizada e em unidade disseram não ao encerramento dos postos e estações de correio.
Devido a tais intenções não temos dúvidas que o processo iniciado pela administração dos CTT, mais tarde ou mais cedo será retomado, situação que, a acontecer, terá novamente de merecer o mesmo tipo de resposta, sob pena de não o fazermos, a qualidade dos serviços ser drasticamente posta em causa, como aliás já hoje acontece onde foram encerrados serviços e a distribuição de correio foi entregue a particulares ou autarquias locais que, em prejuízo das populações, aceitaram substituir-se aos serviços de correios.


2.1.5 Electricidade e Gás
Referíamos na Resolução aprovada no 6º Encontro Nacional que a política energética nacional foi sacrificada para satisfazer os interesses dos grupos económicos, à custa ou em favor dos grandes negócios, pondo em causa o bem-estar e a qualidade de vida dos cidadãos.
Dizíamos também que na sequência desta política o que assumia carácter prioritário na gestão da empresa pela sua administração era a obtenção de lucros para os dividir pelos seus accionistas, em prejuízo da prestação de um serviço público eficiente e de qualidade a preços compatíveis com o rendimento da maioria dos portugueses.
São insuficientes os investimentos em obras novas e na manutenção das infra-estruturas existentes, originando em determinadas regiões constantes e prolongados cortes de energia, não assumindo a EDP, em muitas situações, as suas responsabilidades.
Contrariando as opiniões e posições do Governo, mas confirmando a nossa afirmação, o Mercado Ibérico de Electricidade denominado por ‘MIBEL’ não contribuiu para a redução do custo a pagar pelos utentes pela energia consumida, nem para melhorar a qualidade dos serviços prestados.
Apesar dos utentes portugueses serem os que têm dos menores rendimentos familiares ao nível da UE são os que pagam os custos mais elevados pelos consumos das energias.

2.1.6 Água e Ambiente
Este bem essencial à qualidade de vida e bem-estar do homem está a ser posto em causa com a Lei da água aprovada por este Governo e que permite que este bem produzido pela natureza passe a ser gerido no âmbito do sector privado.
Aproveitando-se da aprovação da Lei em causa houve algumas Câmaras Municipais que concessionaram a grupos privados o abastecimento de água com as populações a terem que suportar custos muito superiores aos que são praticados pelos municípios que continuam a ser responsáveis pelo abastecimento de água aos seus munícipes.
Também o Governo, em perfeita sintonia com os interesses dos grupos privados e em prejuízo dos utentes, tem exercido sobre muitos municípios uma enorme pressão para que os mesmos concessionem tão importante quanto necessário serviço a tais grupos económicos.
Nesta área, como em muitas outras onde o Governo tem tomado decisões políticas, normalmente ao que assistimos é que os critérios do lucro assumem sempre carácter prioritário sobre os critérios económicos e sociais ao ordenamento, regulamentação e fiscalização de actividades económicas, pondo em risco a sustentabilidade das actividades humanas.
A privatização dos sectores de captação e do abastecimento de água podem pôr em risco a sustentabilidade das actividades humanas e de ecosistemas.
Entretanto continuam a não existir em muitas zonas do país equipamentos ou infra-estruturas ( colectores, aterros sanitários e E.T.A .R’s) para garantirem o eficaz tratamento dos resíduos sólidos e efluentes domésticos , situações que se traduzem em problemas gravíssimos de saúde pública e poluição ambiental.

2.1.7 Educação
O indispensável desenvolvimento económico e social do país é fundamental para aumentar os níveis de vida dos trabalhadores para isso é necessário aumentar o nível médio de escolaridade dos portugueses, a formação e qualificação de quadros médios e superiores em maior quantidade, para ser possível superar atrasos e debilidades do sector produtivo e de vivência cultural.
No entanto, e por culpa das políticas que os sucessivos governos, com realce para o actual têm desenvolvido, assentes num modelo de desenvolvimento muito baixo aos níveis da escolaridade e da qualificação e de baixos salários originou que apenas 71% dos trabalhadores tenham o ensino básico e 9,9% dos portugueses possuam escolaridade de nível superior.
Referir também como um dado importante, que os patrões que despontaram na década de 90 têm, em média, apenas 7,7 anos de escolaridade.
Confrontando estas situações com a média dos países da União Europeia a 25, o número de portugueses com o Ensino Secundário completo é inferior em 2,6 vezes, também no que diz respeito à taxa de abandono escolar, em 2004 era de 46%, a mais alta de entre todos os países que à data constituíam a UE.
A grande maioria das empresas continua a não facilitar a formação profissional, nem cumpre a legislação aplicável aos trabalhadores-estudantes, esquecendo-se que a médio prazo poderão beneficiar em termos de produtividade.
Estas sim, são as causas que estão na base do significativo atraso estrutural, económico e social com que o país se debate.
Os altos custos com o ensino que as famílias têm que suportar, argumentando o Governo que o esforço dos mesmos será em benefício dos alunos e não do país, tem apenas e só como objectivo filtrar o acesso ao ensino superior e privatizar o ensino.
Aliás, contrariando tais opções políticas que o Governo teima em continuar, não aceitando críticas nem opiniões e sugestões feitas por estruturas e a nível individual, são muitos os estudos que realçam a importância do ensino e da formação profissional na produtividade e no rendimento do trabalhador.
No âmbito desta estratégia política, o Governo, na continuidade do que anteriores governos faziam, continua a desresponsabilizar o Estado das responsabilidades que tem com o ensino público, optando antes por aumentar, de ano para ano, o investimento no ensino privado, criando condições para que os preceitos economicistas e elitistas se sobreponham a critérios pedagógicos.
É embrulhado neste preocupante quadro político que surge a integração do nosso ensino superior no processo de Bolonha e a imposição do Governo e do grupo parlamentar do PS de um novo regime jurídico das instituições de ensino superior, situações que representam um ataque sem paralelo em trinta e três anos de democracia à gestão democrática e ao governo autónomo das Universidades.

2.1.8 Segurança Social
A concretização do sistema público de Segurança Social é uma conquista dos trabalhadores que não pode nunca ser desligada da Revolução acontecida em 25 de Abril de 1974, integrando-se num conjunto de muitas outras transformações económicas e sociais com implicações positivas na melhoria da qualidade de vida e bem-estar para a maioria do povo português, aniquilando uma situação herdada do regime fascista, que impunha à maioria dos portugueses a exclusão a qualquer direito de protecção social.
Conforme está consagrado no texto da Constituição da República Portuguesa, compete ao Estado a responsabilidade de organizar, coordenar e financiar o sistema de Segurança Social, de forma a assegurar o respectivo direito de todos à Segurança Social.
Contrariando as opiniões e afirmações feitas, quer por membros do Governo, quer pelos que defendem que a gestão do sistema de Segurança Social deve ser feita por grupos económicos, o actual sistema nem está ultrapassado nem à beira do colapso financeiro, são prova do que referimos os saldos positivos atingidos em 2004, 274,6 milhões de euros, em 2005, 297,8 e 2006, 715,8 mais 140% do que no ano de 2005.
A estes valores devem ser acrescentados mais 7000 milhões de euros que o fundo de estabilização financeira da Segurança social atingiu no ano de 2006.
O sistema público de Segurança Social assume-se como fundamental na garantia de direitos ao nível do pagamento de importantes prestações sociais aos trabalhadores desempregados ou em situação de doença, aos reformados e pensionistas e ainda aos cidadãos em situação de pobreza ou exclusão social, situação que tem evitado o alastramento das desigualdades sociais e da pobreza, muito embora o mesmo assente em valores muito baixos das prestações sociais, em comparação com a média dos restantes países da União Europeia. O continuado ataque feito pelo Governo ao sistema público de Segurança Social à sua natureza e finalidades tem sido responsável por custos sociais muito elevados, degradando o valor das prestações sociais, alterando os critérios de atribuição visando a redução do Universo dos beneficiários.
Acrescem a estes problemas que representam custos económicos e sociais muito elevados os que derivam de um modelo económico e social imposto que assenta sobre a fragilização do aparelho produtivo, em elevadas taxas de desemprego, baixos salários, diminuições salariais e ainda no aumento da precariedade laboral.
Referir que esta brutal e inqualificável ofensiva contra o sistema público de Segurança Social está intrinsecamente ligado aos interesses do grande capital que exige a todo o custo profundas alterações das bases que ainda o suportam.

2.1.9 Serviços Financeiros
Nunca como agora a banca e a industria financeira tiveram tantos lucros. Também nunca houve tanto crédito mal parado e as famílias tiveram tanta dificuldade em pagar as responsabilidades de crédito assumidas.
Nunca os apelos ao consumismo e ao recurso ao crédito teve tanta e tão agressiva publicidade. Nunca tantos seguros foram obrigatórios. Muitas prestações sociais e/ou vencimentos obrigam à abertura de contas bancárias. Até, o Estado já é fiador para empréstimos a estudantes.
Muitos dos lucros da banca e das companhias seguradoras, que são depois aplicados na economia especulativa, provêm das inúmeras e altas taxas aplicadas aos serviços.

2.1.10 Entidades Reguladoras
Constituídas por grupos/personalidades técnicas nomeadas pelo Governo (com ou sem a participação da Assembleia da República) pretensamente independentes dispõem de poderes para arbitrar e harmonizar interesses contraditórios entre utentes e prestadores de serviços, e no “quadro da regulação” de sectores de bens e serviços de relevante interesse público.
A teoria da separação das funções de prestação das de regulação continua a ser instrumento para justificar a progressiva retirada dos serviços públicos da prestação de serviços e intervenção em áreas essenciais, completada com a entrega da regulação a entidades administrativas especiais – as entidades reguladoras – alheias aos serviços públicos.
Nada impede que o Estado preste serviços e, ao mesmo tempo, fiscalize a sua qualidade e cumprimento, criando as estruturas necessárias para ambas as funções.

2.2 Balanço da actividade e lutas do MUSP e dos Utentes durante o ano de 2007
Devido a um conjunto de dificuldades de ordem funcional e administrativas, o trabalho desenvolvido aos níveis do Grupo Permanente e da Comissão Dinamizadora não correspondeu às propostas de trabalho aprovadas na resolução do 6º Encontro Nacional, situação que no futuro temos obrigatoriamente de alterar.
Independentemente das dificuldades com que nos confrontámos ao longo do ano de 2007, foi possível desenvolvermos diversas acções e participarmos em outras, correspondendo a solicitações de Comissões de Utentes e outras organizações que consideramos de grande importância para a defesa dos direitos dos Utentes e visibilidade do trabalho do Movimento.

2.2.1
Destacamos as seguintes acções:
- Emissão de documentos diversos;
- Conferências de imprensa e emissão de notas à comunicação social, tomando posição sobre diversos assuntos;
- Participação em diversas acções promovidas por Comissões de Utentes (Montemor-o-Novo, Santo André, Setúbal, Castanheira do Ribatejo, Évora e Odivelas), sindicatos e outras organizações;
- Dinamizámos a constituição do Movimento Cívico em Defesa do SNS, estrutura responsável pela realização da acção do dia 21/09/07 em Lisboa e do dia 22/09/07 em diversos locais do país;
- Participámos em reuniões com estruturas sindicais e autarquias locais;
- Reunimos com partidos políticos na Assembleia da República;
- Reunimos com responsáveis do Governo em diversos Ministérios e com direcções e conselhos de administração de empresas públicas;
- Mantivemos o Blog do MUSP.

3. Um Movimento dos Utentes mais forte e interventivo
Continuando a insistir numa política que penaliza a maioria dos portugueses em benefício dos interesses dos detentores dos grandes grupos económicos, o Governo obriga-nos a estar vigilantes e disponíveis para conjuntamente com os utentes, lutarmos de forma intransigente pela salvaguarda e garantia dos nossos direitos.
Os constantes e sistemáticos ataques que o Governo tem desferido contra os serviços públicos retirando direitos não só aos utentes, mas também aos seus trabalhadores, têm assumido proporções gravíssimas limitando o acesso, aumentando os seus custos, degradando a sua qualidade, acentuando de forma brutal as desigualdades sociais e assimetrias regionais.
Com o objectivo de garantirmos que as condições sociais de bem estar e qualidade de vida sejam conseguidas à custa da melhoria dos serviços públicos torna-se necessário que para além dos que já hoje participamos nas comissões e associações de utentes, muitos outros cidadãos participem nas acções de protesto e reivindicação.
Cabe-nos enquanto membros mais activos convencê-los a participar explicando-lhes tal necessidade, fazendo-os acreditar que se os nossos direitos estão a ser postos em causa ou mesmo a ser retirados, também os deles estão.
Para além do envolvimento de outros cidadãos também a presença de outras estruturas torna-se importante aliás a experiência diz-nos e confirma-nos que os resultados desta conjugação de interesses tem sido, em muitos casos, positiva.
Tendo como presentes o conjunto de situações que referimos na caracterização dos diversos serviços públicos, situações que nos merecem as mais sérias preocupações, a realização do 7ºencontro Nacional das Comissões e Associações de Utentes dos Serviços Públicos assume-se como uma importante acção que irá contribuir para o reforço do MUSP e onde concerteza com a intervenção de cada uma das Comissões ou Associações de Utentes presentes serão definidas as linhas de trabalho que no futuro irão orientar toda a nossa actividade.
Temos pela frente um opositor muito forte, que tentará por todos os meios que possui, e são muitos, concretizar uma tarefa que se comprometeu perante os interesses dos mais ricos dos que anseiam por mais benesses à custa do sacrifício dos mais pobres, cabe-nos a nós cumprir com o compromisso que assumimos perante estes de tudo fazermos para defender os seus direitos e reconquistar os que já lhes/nos foram retirados.

4. Linhas de acção e Reivindicação dos Utentes dos Serviços Públicos
Para ultrapassar os problemas existentes nas diversas áreas dos serviços públicos devido à política neoliberal que o Governo tem optado por aplicar, exigimos outra política que assegure o papel do Estado no desempenho de importantes responsabilidades constitucionais no âmbito das suas funções sociais, indispensáveis ao desenvolvimento do País, à satisfação dos direitos dos utentes, dos trabalhadores e das populações. Por isso, exige-se:

4.1 Saúde
Um Serviço Nacional de Saúde Público, Universal, geral, gratuito, eficiente e eficaz
- Abolição das taxas moderadoras;
- Fim do processo de privatizações no sector;
- Uma política de medicamento que promova a redução dos seus custos para os utentes e Estado, à custa do fim das elevadas taxas de lucro, da indústria, da distribuição e das farmácias e pela aplicação das seguintes medidas, obrigatoriedade de prescrição por DCI e fim do preço de referência, dinamizar a implantação dos genéricos, produção e comercialização de medicamentos em unidoses, farmácias públicas nos Hospitais e nos principais Centros de Saúde, apoio na comparticipação a grupos específicos, como os de mais fracos recursos e com patologias crónicas, defesa da soberania nacional em matéria de produção de medicamentos;
- Criar condições para permitir o acesso atempado de todos os utentes às urgências, às consultas de especialidade e às intervenções cirúrgicas, eliminando, de vez, as famigeradas listas de espera;
- Aproveitar melhor os meios complementares de diagnóstico e de tratamento continuados instalados nos serviços públicos de saúde, como os casos da fisioterapia e hemodiálise, reduzindo o recurso a serviços externos, de custos exorbitantes;
- Desenvolver acções de informação junto dos utentes que promovam as boas práticas em defesa da saúde pública (combate ao tabagismo, ao alcoolismo, às doenças sexualmente transmissíveis, aos maus hábitos alimentares, à sinistralidade rodoviária);
- Criar uma rede de transporte de doentes inter-hospitalar, de forma a que todos os doentes internos ou externos tenham aceso a um transporte atempado quando necessitam de transitar entre hospitais;
- Que sejam afectos mais recursos humanos e materiais para o reforço das acções de saúde preventiva e de saúde pública;
- Instalar a todos os níveis e em todas as unidades de saúde sistemas de informação compatíveis entre si;
- Que o Estado assegure aos cidadãos todos os meios na prevenção e tratamento da toxicodependência e SIDA;
- Estender a todos os que necessitem os cuidados continuados e cuidados paliativos;
- Que o Estado apoie os cidadãos com deficiência e seus familiares;
- Uma nova política de saúde que combata as actuais assimetrias regionais;
- Instalação de cuidados de saúde oral, nutricionistas, fisioterapeutas, psicologia e oftalmologia nos centros de saúde e hospitais onde ainda não existam estes serviços.
- Funcionamento dos centros de saúde aos fins de semana em zonas do país mais distantes dos serviços hospitalares;
- Construção de Hospitais e Centros de Saúde públicos;
- Passagem de todos os Hospitais EPE a SPA;
- Acabar com a promiscuidade Público/Privada dentro do SNS.
- Manutenção do funcionamento dos “Serviços de Atendimento Permanente – SAPs”, onde estes já se encontrem instalados, com apetrechamento dos equipamentos adequados às necessidades de resposta que as populações carecem.

4.2 Transportes
- Nas regiões actualmente servidas pelo passe social, alargar o âmbito geográfico das coroas e inclusão de todos os operadores de transportes;
- Alargamento da cobertura a mais áreas do país do passe inter-modal, bem como a inclusão de todos os operadores de transportes;
- Criação de mais vias BUS, paragens com mais informação e mais conforto nos abrigos;
- Incentivo à utilização de combustíveis não poluentes;
- Exigimos a elaboração do PNT (Plano Nacional de Transportes) e a instalação das autoridades metropolitanas de transportes;
- Valorização do transporte ferroviário pesado e ligeiro (metro) do transporte fluvial e dos transportes rodoviários urbanos;
- Não à privatização das empresas públicas de transportes;
- Construção de parques interfaces nas periferias dos centros urbanos para serem evitadas entradas de veículos nos mesmos;
- Cumprimento integral por parte das empresas dos percursos definidos nos contratos de concessão.

4.3 Acessibilidades e Mobilidade
- não à privatização da empresa (Estradas de Portugal );
- não à instalação de portagens nas SCUT’s e acabar com as portagens nas pontes que atravessam o Rio Tejo;
- não ao pagamento de portagens em vias com obras;
- construção de novas vias de circulação e melhoria da qualidade ao nível da pavimentação, correcção de traçados e sinalização das já existentes;

4.4 Correios e telecomunicações
- Que os serviços de correios se mantenham na área do Sector Público Administrativo;
- Fim do processo de encerramento de postos e estações dos CTT para garantir a qualidade dos serviços e a confidencialidade da correspondência;
- Combate à concentração de operadores de telecomunicações, obrigatoriedade de tarifas planas e de menores prazos de fidelização;
- Os avanços tecnológicos devem estar à disposição em todo o território nacional;

4.5 Electricidade e gás
- Prática de preços da energia que tenha em conta os rendimentos médios das famílias e as necessidades competitivas do tecido económico nacional;
- Medidas de estímulo à poupança de energia por parte das famílias portuguesas;
- Incremento da produção de mais energia eólica, biomassa e hídrica;
- Execução rigorosa dos estudos de impacto ambiental e diálogo com as populações nos traçados das linhas de muito alta tensão;
- Construção de novas linhas e estações eléctricas para acabar com situações de carência ainda existentes em diversas zonas do país;
- Reforço das acções de manutenção das linhas e estações eléctricas e das condutas de gás., assim como junto dos consumidores directos;
- Tratando-se de sectores estratégicos o Estado deve assegurar ou ter influência decisiva na gestão das mais importantes empresas do sector;

4.6 Água e Ambiente
- Revogação da Lei Quadro da Água;
- Fim da concessão/privatização dos serviços de abastecimento de água;
- Aferir e zelar pela qualidade da água e promover práticas racionais do seu uso;
- Estender a todo o País o saneamento básico (limpeza dos locais públicos, recolha de lixo, rede de esgotos) e construir e manter em condições de bom funcionamento Aterros Sanitários e ETAR's;
- Gestão e usufruto público dos recursos naturais, numa perspectiva que contrarie a mercantilização e a privatização da natureza;

4.7 Educação
- Que se invista e valorize o Ensino Público em vez de se favorecer o privado;
- Que o Estado assuma as suas responsabilidades no sentido de garantir a ocupação das crianças, no período que vai entre o fim das actividades escolares, das pausas lectivas e o regresso dos pais da sua actividade profissional;
- Medidas de defesa da Escola Pública como garante do cumprimento do direito constitucional ao ensino em condições de equidade para todos;
- Alargamento do ensino obrigatório ao 12º ano de escolaridade;
- Alargamento da rede pública do pré-escolar a todas as crianças de quatro anos acompanhado das condições necessárias;
- Fim das propinas e o aumento significativo das verbas para a Acção Social Escolar;
- Que a ser feita uma reestruturação da rede escolar a mesma seja feita de forma consentânea com os interesses das comunidades escolares, com o acordo dos pais e encarregados de educação através das suas organizações representativas, bem como a Confederação, autarcas, docentes e não docentes.

4.8 Segurança Social
- Defesa do sistema público, universal e solidário da Segurança Social, como pilar de novas políticas sociais que visem a justa repartição do rendimento nacional, o combate às injustiças e às desigualdades sociais;
- Consolidação da sustentabilidade financeira do sistema público através de medidas que, entre outras, responsabilizem e comprometam o Estado e as empresas de capital intensivo.
- Suspensão dos critérios de sustentabilidade e critérios de atribuição de prestações sociais, que visam a redução do valor da reforma e restantes subsídios, como o de desemprego e de doença.
- Aumento do valor das prestações sociais mais baixas e criação de novas prestações para cobrir novos riscos sociais;
- Criação de mais creches e infantários e lares para idosos;
- Pagamento em tempo útil das prestações sociais, como o Subsídio de Desemprego e o Subsídio de Doença;
- A instalação equilibrada em todo o território nacional de serviços de atendimento da Segurança Social, as “Lojas da Solidariedade”.

4.9 Serviços Financeiros
- Não às taxas nas operações de multibanco;
- Redução das taxas de juro no crédito à habitação;


4.10 Justiça
- Valor das taxas para acesso aos tribunais mais adequadas ao rendimento das famílias. Não ao encerramento de juízos, tribunais e outros serviços;
- Os serviços públicos administrativos devem ser organizados face às condicionantes socio-demográficas e respeitar os princípios da proximidade e acessibilidade;
- A informatização dos serviços públicos deve respeitar o vasto conjunto da população portuguesa que é info-excluída, permitindo-lhes a possibilidade de aceder por métodos mais compatíveis com a sua vivência.

4.11 Entidades Reguladoras
Num quadro de prestação de serviços monopolizada por grupos económicos, o Estado deve intervir na regularização e orientação da actividade económica no respeito pelos princípios e instrumentos de planificação consagradas constitucionalmente;
Os utentes, através dos seus representantes e outras organizações sociais devem estar presentes nas órgãos das entidades reguladoras;

5. Calendário de Acções de Protesto e Reivindicação
Identificadas as exigências importa calendarizar um conjunto de Acções que tenham em consideração as condições necessárias para que as Comissões e Associações apoiadas pelos utentes lutem para conseguirem não só garantir os direitos destes mas para que os que lhes forem retirados sejam repostos.
O futuro reserva ao movimento de utentes uma tarefa difícil mas não impossível: informar, organizar e mobilizar cada vez mais utentes na exigência da adopção de novas políticas sociais que: promovam a igualdade de direitos e de oportunidades para todos e previna e elimine os diversos factores de discriminação e desigualdade; realizem a necessária repartição da riqueza criada, com salários e pensões revalorizadas, o desenvolvimento dos sistemas públicos e universais de segurança social e o acesso a serviços públicos de qualidade, repetimos é tarefa difícil mas não impossível.

Propomo-nos:

· Promover iniciativas que potenciem a criação de novas Comissões de Utentes;
· Realizar um debate nacional sobre o SNS;
· Promover um encontro nacional sobre água e ambiente;
· Realizar um debate sobre energia (importância das energias renováveis) ;
· Realizar acções que tenham como objectivo a defesa e valorização dos serviços públicos;
· Tomar posições de protesto, denúncia e reivindicação sobre questões que ponham em causa direitos dos utentes e atentem contra os serviços públicos;
· Realizar o 8º Encontro Nacional das Comissões e Associações de Utentes dos Serviços Públicos no último trimestre do ano de 2008 em local a definir.



Lisboa, 17 de Novembro de 2007


09/01/07

Apoio e solidariedade às Acções de Protesto das Comissões e Utentes dos Transportes Públicos de Passageiros do Porto


(Nota à Comunicação Social)


Lisboa 08 de Janeiro de 2007

O Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) manifesta o seu total apoio e solidariedade às muitas acções de protesto que têm acontecido diariamente na cidade do Porto e outras promovidas pelas Comissões e Utentes dos Transportes Públicos contra as alterações introduzidas pela STCP ao sistema das carreiras de autocarros e contra a supressão de mais de uma dezena.

Manifestando total desprezo e desrespeito pelos utentes dos transportes e numa clara demonstração de arrogância e prepotência tipo quero, posso e mando, a Administração da referida empresa introduziu significativas alterações no sistema de transportes, suprimindo também mais de uma dezena de carreiras, medidas que a concretizarem-se acarretarão para os respectivos utentes enormes problemas e prejuízos.

Considerando como muito negativa a actuação da Administração da empresa em todo o processo, o Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) reafirma o seu apoio e solidariedade às justas acções de protesto já realizadas e às que venham a ser realizadas pelas Comissões e Utentes.



Grupo Permanente do MUSP

Protesto contra as alterações dos STCP



MOÇÃO
(Aprovada na Manifestação da Avenida dos Aliados)


Os Utentes dos STCP - Transportes Colectivos do Porto concentrados na Avenida dos Aliados em 4 de Janeiro de 2007, face ao processo de reestruturação das carreiras dos STCP que se traduziu na redução do número de autocarros, em que locais de habitação e emprego assim como importantes serviços públicos que ficam sem acesso a transportes públicos, criam percursos mais curtos, maior frequência nos transbordos, aumento dos tempos de viagem até aos locais de destino, agravamento dos custos de viagens e a não devolução do dinheiro das viagens por gastar:

Manifestam o seu protesto por não terem sido acautelados os direitos dos utentes, exigindo que nenhuma população saia prejudicada deste processo de reestruturação;

Responsabilizam o Conselho de Administração dos STCP e o governo por esta situação;

Exigem a suspensão da actual reestruturação das carreiras dos STCP até que entre em funcionamento a Autoridade Metropolitana de Transportes;

Mandatam o Movimento de Utentes dos Transportes da Área Metropolitana do Porto no sentido de fazer chegar este protesto aos órgãos de soberania, às entidades competentes e à comunicação social, assim como proceder às diligências necessárias para resolver os problemas ocasionados pela actual reestruturação dos STCP.


Porto, 4 de Janeiro de 2007

05/01/07

Os Portugueses vão pagar mais caro os Serviços e os bens de consumo


(Nota à Comunicação Social)


Lisboa 05 de Janeiro de 2007

O Primeiro Ministro, através da mensagem de Natal transmitida pela televisão para todos os Portugueses, falou sobre um País virtual que a grande maioria destes não conhece nem se revê nele, omitindo ou fingindo o Primeiro Ministro não conhecer ou saber que o País real que a grande maioria dos Portugueses conhece e faz parte é aquele onde diariamente acontecem os despedimentos, onde os salários aumentam, os que aumentam, em valores inferiores aos da inflação, onde aumentam os custos dos transportes, da electricidade, do pão, dos combustíveis, das portagens e taxas moderadoras, onde são criadas novas taxas para os internamentos e tratamentos ambulatórios nos Hospitais, onde são aumentados os subsídios para o Ensino Privado mas reduzidos os valores para o Ensino Público, onde são encerrados Serviços de Saúde, estações e postos dos CTT, escolas, postos da GNR, onde são suprimidos transportes onde são aumentados os custos para acesso aos tribunais, onde constantemente e de forma deliberada e intencional são acusados de maus funcionários os trabalhadores da Função Pública, onde por proposta do Governo é aprovada uma lei que põe em causa o futuro da Segurança Social e os direitos dos reformados, onde os deficientes vêem ser-lhes retirados direitos que tinham por sofrerem de deficiência, onde a Banca e os grandes negócios feitos através de operações bolsistas que geram lucros fabulosos pagam, quando pagam, impostos de valores menores dos que os cobrados às restantes empresas, incluindo as pequenas, onde é dada luz verde à aquisição da PT através da OPA feita pelo Grupo Sonae que vai lesar o Estado em muitos milhões de Euros por não pagamento de impostos prejudicando também gravemente trabalhadores e clientes da PT.

Este sim é o País real, aquele para onde a grande maioria dos portugueses foi empurrada devido às políticas que este e os anteriores Governos desenvolveram, políticas que contribuíram para que os ricos sejam cada vez mais ricos e os pobres sejam cada vez mais pobres, havendo mesmo cerca de dois milhões que vivem abaixo ou no limiar da pobreza.

É contra estas políticas pouco solidárias, geradoras de grandes injustiças sociais e discriminatórias entre regiões e cidadãos que o Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) se manifesta, exortando os portugueses e portuguesas, enquanto utentes e trabalhadores e trabalhadoras, a também continuarem a fazê-lo exigindo políticas que tenham em conta o direito ao trabalho, a melhor qualidade de vida e bem estar através da prestação de melhores serviços e mais justiça social.


Grupo Permanente do MUSP

21/12/06

Referendo sobre a despenalização do aborto

(Nota à Comunicação Social)



Lisboa 21 de Dezembro de 2006

Por a lei actual não ser adequada à realidade existente e não resolver o problema do aborto clandestino, situação que constitui uma grande injustiça para as mulheres, representando ao mesmo tempo uma vergonha para Portugal perante a grande maioria dos restantes países da União Europeia, o Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) permite-se apelar à participação dos portugueses e portuguesas no referendo a ter lugar no próximo dia 11 de Fevereiro de 2007, votando sim à despenalização do aborto.

Em simultâneo exigimos ao Governo que garanta através do Serviço Nacional de Saúde as condições necessárias que protejam a saúde reprodutiva das mulheres, que garantam uma correcta Educação Sexual e Planeamento Familiar, não discriminando nos Serviços de Saúde as mulheres que recorram à Interrupção Voluntária da Gravidez, antes desenvolvendo processos para o seu acompanhamento e aconselhamento.


Grupo Permanente do MUSP

20/12/06

Campanha de sensibilização do MUT- AMP




"O MUT-AMP, face às alterações programadas pelos STCP, para iniciar no dia 1 de Janeiro de 2007, uma reformulação das carreiras de transportes colectivos de passageiros, alterações que prevêm a eliminação de cerca de 50 carreiras e a criação de cerca de 30 novos percursos, originando o agravamento do custo das viagens e o aumento do tempo dos percursos devido à introdução de um procedimento anómalo de transbordo dos passageiros para os autocarros que os poderão levar ao destino, uma vez que os autocarros onde começaram a viagem terminam a meio o actual percurso obrigando os passageiros a saírem em busca dos autocarros que os possam levar até ao local de destino, o MUT-AMP vai proceder à distribuição de um documento à população alertando-a para algumas das anormalidades propostas pelos STCP.

Dia 22 de Dezembro de 2006 (Sexta-feira), às 15h00, na Avenida dos
Aliados, junto ao Montepio Geral, vai se proceder à distribuição do
documento em anexo.

Participe e divulgue esta iniciativa. Informe-se e informe os utentes
para as dificuldades que as novas alterações dos STCP pretendem
introduzir nas carreiras de transportes públicos.

Movimento de Utentes dos Serviços de Saúde"


07/12/06

Reestruturação dos Serviços de Urgência Hospitalares

(Nota à Comunicação Social)



Lisboa 06 de Dezembro de 2006

O Governo, através do Ministério da Saúde, continua a sua ofensiva política contra o Serviço Nacional de Saúde e respectivos trabalhadores, retirando direitos aos utentes, encarecendo os custos dos cuidados de Saúde, dificultando cada vez mais o acesso aos mesmos.

Depois do encerramento da extensões dos Centros de Saúde, de S.A.P.s, C.A.T.U.s, Maternidades e encurtando o horário de funcionamento de outros, o Governo vem agora anunciar a reestruturação dos Serviços de Urgência Hospitalar, havendo mesmo alguns que o Ministério pretende encerrar.

As situações referidas não contribuíram nem para melhorar a qualidade dos cuidados de Saúde prestados nem para reduzir o número de utentes sem médico de família (cerca de um milhão de cidadãos), nem para baixar o número de utentes que esperam há largos meses, alguns há mais de um ano, por uma intervenção cirúrgica (cerca de 230 mil) e muito menos para reduzir os custos que os utentes têm de pagar para ter acesso aos Serviços de Saúde, antes têm contribuído para a entrega de Serviços ao capital privado à custa da destruição do Serviço Nacional de Saúde e da sua degradação.

Considerando que as medidas já tomadas, e as que agora foram anunciadas, não responderam nem vão responder quer aos anseios e necessidades dos utentes quer à melhoria dos Serviços mas sim aos interesses egoístas dos grandes grupos económicos e a uma política de redução de custos na área dos Serviços Públicos e funções sociais do Estado, o Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) manifesta-se contra as mesmas, exigindo sim a aplicação de medidas que reforcem e melhorem o Serviço Nacional de Saúde.

Grupo Permanente do MUSP


Aumentos e mais aumentos

(Nota à Comunicação Social)



Lisboa 30 de Novembro de 2006

Fruto de uma política errada que o Governo teima em prosseguir, cujos efeitos negativos se têm feito sentir junto dos portugueses de menores recursos financeiros e económicos, os aumentos de bens e produtos não param de acontecer em valores muito acima dos valores previstos para a inflação (3,1%) e das propostas de aumentos salariais (1,5%), contribuindo decisivamente para a perda do poder de compra por parte da grande maioria dos portugueses e respectivas famílias.

A electricidade vai aumentar em valores acima dos 6%, os transportes públicos aumentam em valores da ordem dos 2,3%, as portagens nas pontes e auto-estradas sofrem um acréscimo de mais de 3%, na Saúde para além do aumento das taxas moderadoras em mais de 2,3% serão também pagos a partir de Janeiro, inclusive, os internamentos e os tratamentos ambulatórios, a somar a estes aumentos outros há que acontecem diariamente, nomeadamente na área dos produtos alimentares.

Esta situação de constantes e significativos aumentos coloca a muitos milhares de portugueses um dilema gravíssimo que é o de ter de fazer opções entre o comprar produtos essenciais para a sua sobrevivência enquanto seres humanos ou adquirir bens ou Serviços não menos necessários nem menos importantes, com consequências ainda no aumento do endividamento das famílias.

Considerando a gravidade que tais aumentos representam para a grande maioria dos portugueses o Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) manifesta a sua total oposição aos mesmos exigindo ao Governo que desenvolva uma política que tenha em atenção os direitos sociais dos trabalhadores e a qualidade de vida e bem estar dos portugueses, particularmente os de menores recursos financeiros.


Grupo Permanente do MUSP