29/01/10

Atendimento médico aos utentes com sintomas de Gripe A


Repetidamente em muitas ocasiões mais do que uma vez por dia o Governo através da
Ministra da Saúde tem utilizado os órgãos de comunicação social particularmente a
televisão para anunciar que foram e estão a ser tomadas medidas ao nível do Serviço
Nacional de Saúde para serem prestados aos utentes com sintomas de gripe A os
cuidados médicos necessários com a urgência que a doença exige.
Em paralelo com tais anúncios são feitos apelos para que as pessoas que sintam os
sintomas gripais não saiam das suas residências para evitarem nos Serviços de Saúde
alarmes desnecessários e que requeiram para justificarem junto das entidades
patronais a sua incapacidade para trabalharem o atestado médico ao seu médico de
família.
Com prejuízo para os utentes que são afectados com os sintomas de gripe, nem os
Serviços de Saúde têm condições e capacidade de resposta para os atender, com a
urgência necessária esperando inúmeras horas para serem atendidos nos espaços
onde estão outros utentes com problemas diferentes de saúde, nem alguns dos que
não saem de casa conseguem ter acesso aos atestados, alguns por não terem médico
de família e outros porque os médicos negam-se a passar o atestado.
Para o anterior e muito possivelmente para o actual Governo foi e será mais importante
anunciar medidas do que concretizá-las mesmo que tal incapacidade possa causar
prejuízos e problemas graves de saúde aos respectivos utentes.
Considerando o que é referido o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos – MUSP
manifesta-se preocupado com a falta das condições necessárias a um bom e rápido
atendimento dos utentes, exigindo ao Governo a urgente tomada de medidas para pôr
cobro a esta situação.

Grupo Permanente do MUSP

Lisboa, 10 de Novembro de 2009



Tomada de Posse do novo Governo


O discurso proferido ontem pelo Primeiro-Ministro no acto da tomada de posse do Governo é deveras preocupante para os trabalhadores e utentes, por revelar um conjunto de intenções e propósitos que a serem aplicados continuariam a agravar e pôr em causa direitos económicos e sociais, com consequências gravíssimas ao nível das famílias de menores recursos económicos, cujos beneficiários continuariam a ser os mesmos de sempre, os grandes grupos económicos.
É no mínimo inquietante que após acontecer um acto eleitoral (Eleições Legislativas) onde a maioria da população portuguesa rejeitou através do voto a política de direita que o Governo de maioria absoluta do PS vinha desenvolvendo com os prejuízos que se conhecem para as famílias de menores recursos económicos, ouvir o Primeiro Ministro afirmar que tais políticas são para continuar porque são necessárias para modernizar o país, adaptando-o às novas realidades e aos caminhos do progresso e bem-estar dos portugueses.
Face a tais desejos manifestados de forma tão expressiva torna-se evidente para nós que o futuro próximo vai trazer-nos de volta dias tão ou mais difíceis do que os que vivemos ao longo dos últimos quatro anos, dias em que vai voltar a haver a necessidade de cerrarmos fileiras e reunirmos esforços para defendermos a melhoria do acesso da qualidade e do funcionamento dos serviços públicos, os direitos dos utentes e a redução dos custos a suportar por estes na prestação dos serviços.
Tal como o fizemos no passado fá-lo-emos no futuro, lutando, opondo-nos e incentivaremos as populações e os utentes a manifestarem-se contra todas as decisões que visem aumentar as suas já muitas dificuldades económicas ou sociais ou para reduzir ou mesmo retirar-lhes direitos.


Lisboa, 27 de Outubro de 2009

13/07/09

Governo aprovou em Junho passado uma alteração aos Estatutos da CP


O Governo, através do Decreto Lei 137-A/2009 de 12 de Junho passado aprovou a alteração aos estatutos da CP.
Pretende o Governo com a alteração feita aos actuais estatutos da CP autonomizar o sector das cargas criando para o efeito a CP Carga SA, apontando para num curto espaço de tempo a sua privatização, abrindo também a porta para a concessão/privatização dos outros sectores lucrativos da CP concretamente os comboios suburbanos de Lisboa e Porto.
Caso tais alterações estatutárias fossem levadas por diante e concretizada a privatização dos sectores referidos seria irreversivelmente posto em causa não só o serviço público de transporte ferroviário como os direitos dos utentes (preços dos bilhetes mais caros e redução de comboios) assim como prejuízos para a própria economia nacional, com evidentes benefícios e favorecimento para os grupos económicos representantes das grandes fortunas.
Para além das situações referidas, também estão em causa muitos postos de trabalho dos trabalhadores da CP.
Considerando a gravidade que as alterações introduzidas aos estatutos representam o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos – MUSP manifesta-se totalmente contra as mesmas exigindo a sua revogação, permitindo-se em simultâneo apelar às Comissões de Utentes dos transportes ferroviários que também se manifestem contra, mobilizando para acções de protesto as respectivas populações.

Grupo Permanente do MUSP

13/01/09

É urgente a construção dos hospitais Reinaldo dos Santos em V. F. de Xira e o do Seixal.

Lisboa, 5 de Janeiro de 2009

Os hospitais Reinaldo dos Santos em V. F. de Xira e o Garcia da Orta em Almada para desespero dos seus utentes e trabalhadores não precisaram nem precisam do surto de gripe que atacou e continua a atacar muitos milhares de portugueses e portuguesas para os seus serviços não responderem com qualidade e eficiência às necessidades das populações que aos mesmos recorrem.
Os referidos hospitais foram construídos e dimensionados para servirem um determinado número de pessoas que em ambos os casos há muito tempo duplicaram ou mesmo triplicaram, situações que como é óbvio causam problemas de diversa ordem, particularmente aos níveis do atendimento e qualidade dos serviços prestados.
Por considerar que as situações referidas são há muito tempo do conhecimento dos sucessivos governos o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos – MUSP exige ao Governo que com a urgência que as mesmas requerem promova a construção dos hospitais de Vila Franca de Xira e do Seixal, constituindo-se como soluções para eliminar problemas de mau funcionamento que os actuais hospitais apresentam.

Grupo Permanente do MUSP





Custo de vida aumenta/Qualidade dos serviços públicos degrada-se

Lisboa, 30 de Dezembro de 2008
Para tentar esconder ou escamotear a grave crise económica em que o país está mergulhado por sua responsabilidade, os membros do Governo com o Primeiro Ministro à cabeça, insistem em afirmar, quase que diariamente em tudo o que são órgãos de comunicação social, que durante o próximo ano as famílias portuguesas vão gastar menos dinheiro na aquisição de bens e serviços de primeira necessidade.
Nada mais falso e demagógico, quando já é público que a partir de Janeiro o custo da electricidade vai aumentar em 4,3%, o pão tudo indica em valores entre os 5% e os 8%, a água em percentagens na ordem dos 2,8%, as portagens em mais 2,3%, as viagens em táxis entre 3% e 4%, também nos empréstimos para compra de habitação com juros bonificados o Governo reduz a sua comparticipação, aumentando como é óbvio a percentagem a suportar pelos que contraíram empréstimos. Em contrapartida, para os grandes grupos económicos e financeiros o Governo continua a disponibilizar volumosas quantias de dinheiro.
Também nos transportes colectivos de passageiros não é completamente verdade que os custos dos seus títulos não vão aumentar, porquê? Porque no metropolitano deixaram de haver os bilhetes de ida e volta, para se fazer a viagem de ida e regresso têm de se adquirir duas viagens o que no caso da viagem Odivelas/Lisboa e vice-versa aumenta os custos em mais de 9% por viagem.
A estes aumentos outros muito provavelmente acontecerão no início do ano, face a tais evidências como é possível aos membros do Governo fazerem tais afirmações com tanto à vontade quando o que ano após ano tem acontecido é as famílias portuguesas terem perdido poder de compra porque os aumentos dos bens e serviços têm sido superiores aos dos salários, pensões e reformas.
A acrescentar aos aumentos também a qualidade dos serviços públicos tem vindo a degradar-se e o acesso aos mesmos a ser cada vez mais difícil e demorado não só devido à sua falta de resposta mas também ao aumento dos seus custos (taxas moderadoras, de internamento e tratamento ambulatório, pagamentos de exames e outros actos médicos).
Quer os aumentos quer a má qualidade e custos dos serviços não acontecem por responsabilidade dos trabalhadores nem das populações como algumas vezes alguns referem, mas por culpa das políticas que sucessivos Governos incluindo o actual têm optado por aplicar e que no essencial penalizam os mais necessitados em claro benefício dos grandes grupos económicos.
Considerando que tais opções políticas têm contribuído para o acentuar das injustiças e desigualdades sociais e para aumentar consideravelmente o número de pobres, cerca de 18% da actual população portuguesa, o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos – MUSP rejeita-as liminarmente, exortando e apelando às populações que também elas, da forma que entenderem como a melhor, manifestem o seu protesto, repúdio e desacordo, exigindo políticas que respeitem os seus direitos e satisfaçam as suas reais necessidades.

Grupo Permanente do MUSPPara tentar esconder ou escamotear a grave crise económica em que o país está mergulhado por sua responsabilidade, os membros do Governo com o Primeiro Ministro à cabeça, insistem em afirmar, quase que diariamente em tudo o que são órgãos de comunicação social, que durante o próximo ano as famílias portuguesas vão gastar menos dinheiro na aquisição de bens e serviços de primeira necessidade.
Nada mais falso e demagógico, quando já é público que a partir de Janeiro o custo da electricidade vai aumentar em 4,3%, o pão tudo indica em valores entre os 5% e os 8%, a água em percentagens na ordem dos 2,8%, as portagens em mais 2,3%, as viagens em táxis entre 3% e 4%, também nos empréstimos para compra de habitação com juros bonificados o Governo reduz a sua comparticipação, aumentando como é óbvio a percentagem a suportar pelos que contraíram empréstimos. Em contrapartida, para os grandes grupos económicos e financeiros o Governo continua a disponibilizar volumosas quantias de dinheiro.
Também nos transportes colectivos de passageiros não é completamente verdade que os custos dos seus títulos não vão aumentar, porquê? Porque no metropolitano deixaram de haver os bilhetes de ida e volta, para se fazer a viagem de ida e regresso têm de se adquirir duas viagens o que no caso da viagem Odivelas/Lisboa e vice-versa aumenta os custos em mais de 9% por viagem.
A estes aumentos outros muito provavelmente acontecerão no início do ano, face a tais evidências como é possível aos membros do Governo fazerem tais afirmações com tanto à vontade quando o que ano após ano tem acontecido é as famílias portuguesas terem perdido poder de compra porque os aumentos dos bens e serviços têm sido superiores aos dos salários, pensões e reformas.
A acrescentar aos aumentos também a qualidade dos serviços públicos tem vindo a degradar-se e o acesso aos mesmos a ser cada vez mais difícil e demorado não só devido à sua falta de resposta mas também ao aumento dos seus custos (taxas moderadoras, de internamento e tratamento ambulatório, pagamentos de exames e outros actos médicos).
Quer os aumentos quer a má qualidade e custos dos serviços não acontecem por responsabilidade dos trabalhadores nem das populações como algumas vezes alguns referem, mas por culpa das políticas que sucessivos Governos incluindo o actual têm optado por aplicar e que no essencial penalizam os mais necessitados em claro benefício dos grandes grupos económicos.
Considerando que tais opções políticas têm contribuído para o acentuar das injustiças e desigualdades sociais e para aumentar consideravelmente o número de pobres, cerca de 18% da actual população portuguesa, o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos – MUSP rejeita-as liminarmente, exortando e apelando às populações que também elas, da forma que entenderem como a melhor, manifestem o seu protesto, repúdio e desacordo, exigindo políticas que respeitem os seus direitos e satisfaçam as suas reais necessidades.

Grupo Permanente do MUSP


05/11/08

Moção

Orçamento de Estado para 2009

Considerando que o Orçamento de Estado para o ano de 2009, em pouco ou nada é diferente dos anteriores, continuando a regular-se pelo cumprimento das ordens impostas por Bruxelas.
Considerando que o desinvestimento nos serviços públicos e a quebra do poder de compra dos trabalhadores continuam a fazer parte do próximo Orçamento de Estado.
Considerando que ambas as situação vão contribuir significativamente para o agravamento da qualidade dos serviços e para dificultar ainda mais o acesso dos utentes aos mesmos, permitindo ainda que os grandes grupos económicos continuem a apossar-se das áreas mais rentáveis dos serviços públicos.

Face aos considerandos referidos, as Comissões de Utentes dos Serviços Públicos, reunidas em Coimbra no seu 8º Encontro Nacional decidem:
1º Exigir ao Governo que faça os investimentos necessários para que os serviços públicos respondam com qualidade, eficiência e eficácia às necessidades dos seus utentes.
2º Exigir ao Governo que assuma através do Orçamento de Estado as suas responsabilidades sociais face às necessidades de cada vez mais portugueses e respectivas famílias.
3º Exigir ao Governo que ponha fim ao processo de privatizações dos serviços públicos para que os direitos dos utentes sejam garantidos.

Coimbra, 25 de Outubro de 2008

Moção



Contra o aumento dos Preços da Energia

Considerando que a energia é um bem essencial ao desenvolvimento da economia e à qualidade de vida das famílias.
Considerando que, nomeadamente, o preço da electricidade tem impactos em todos os aspectos da vida económica e social.
Considerando que os aumentos já anunciados e propostos, quer pelo Governo, quer pela Entidade Reguladora ultrapassam em muito os valores previstos da inflação e do crescimento dos salários e pensões para o ano de 2009.

As Comissões de Utentes dos Serviços Públicos, reunidas no dia 25/10/08 em Coimbra no seu 8º Encontro Nacional decidem;
- Repudiar veementemente os aumentos anunciados.
- Exigir a sua adequação aos rendimentos das famílias e das necessidades competitivas do sector económico nacional.



Aprovada



Coimbra, 25 de Outubro de 2008

Moção


Código do Trabalho

Considerando que o Governo pretende alterar para pior as actuais leis que regulam as relações laborais.
Considerando que se a pretensão do Governo fosse concretizada a mesma constituir-se-ia como uma regressão civilizacional sem precedentes, com prejuízos evidentes para os trabalhadores, pondo em causa direitos alcançados ao longo de décadas através de acções reivindicativas e para o próprio Movimento Sindical.
Considerando ainda que se as alterações propostas fossem aprovadas desregulamentariam por completo os horários de trabalho pondo também em causa a organização da vida familiar com implicações gravíssimas aos níveis do acompanhamento dos filhos e da sua própria educação.
Considerando também que se as propostas de alteração fossem aprovadas aumentaria o desemprego e os salários não sofreriam aumentos compatíveis com as necessidades económicas das famílias, situações que causariam implicações gravíssimas aos níveis sociais e da qualidade de vida
Face aos considerandos descritos e aos perigos que a alteração em causa representa para centenas de milhares de trabalhadores e respectivas famílias, as Comissões de Utentes dos Serviços Públicos, reunidas em Coimbra no dia 25/10/08 no seu 8º Encontro Nacional decidem:

1º Repudiar a alteração proposta pelo Governo para alterar em benefício do patronato e em prejuízo dos trabalhadores as actuais leis laborais.
2º Exigir ao Governo que suspenda a sua proposta, para que, em conjunto com o Movimento Sindical, proceda às necessárias alterações que tenham em consideração os direitos dos trabalhadores.

Aprovada
Coimbra, 25 de Outubro de 2008





8º Encontro Nacional das Comissões de Utentes

Resolução



Índice

1- Introdução
2 – A evolução dos Serviços Públicos em Portugal.
2.1. Caracterização Sectorial;
2.1.1Saúde;
2.1.2 Transportes Públicos;
2.1.3 Acessibilidades e Mobilidade;
2.1.4 Correios e Telecomunicações;
2.1.5 Electricidade e Gás;
2.1.6 Água e Ambiente;
2.1.7 Educação;
2.1.8 Segurança Social;
2.1.9 Sector Financeiro;
2.1.10 Entidades Reguladoras;
2.2 Balanço da actividade do MUSP;
3 – O Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos (MUSP). Estrutura e funcionamento.
4- Plano de trabalho e medidas a concretizar até ao 9º Encontro Nacional.
4.1 - Para uma resposta mais eficaz na defesa dos direitos dos utentes, o 8º Encontro Nacional do MUSP, decide;
4.1.1 - No plano da estruturação;
4.1.2 - No plano da direcção;
4.2 - Iniciativas a desenvolver pelo MUSP;
5. Reivindicações dos Utentes dos Serviços Públicos.
5.1 Saúde;
5.2 Transportes;
5.3 Acessibilidades e Mobilidade;
5.4 Correios e telecomunicações;
5.5 Electricidade e Gás;
5.6 Água e Ambiente;
5.7 Educação;
5.8 Segurança Social;
5.9 Serviços Financeiros;
5.10 Justiça;
5.11 Entidades Reguladoras;







1- Introdução

O 8º Encontro Nacional do Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos (MUSP), mais do que um momento de balanço da actividade desenvolvida no último ano, é uma oportunidade para que colectivamente sejam encontradas soluções eficazes que respondam a duas questões centrais: como organizar a crescente contestação das populações às políticas públicas do governo e, no quadro actual, como alargar a intervenção e o prestígio do MUSP.
Os últimos anos, fruto da desresponsabilização do Estado face às suas obrigações constitucionais, nomeadamente a de garantir um conjunto de direitos económicos e sociais em áreas como a saúde, a educação e a segurança social, mas também num conjunto de serviços de bens essenciais como, a electricidade, os transportes, os correios, as telecomunicações, a água e o gás, entre outros, foram de grande contestação das populações que se sentem cada vez mais lesadas nos seus direitos.
O processo de reconfiguração do Estado a que temos vindo a assistir nos últimos anos, cuja concretização tem passado por retirar ao Estado a sua função de prestador e entregá-la a entidades privadas, tem tido como consequência natural: maiores dificuldades no acesso a estes serviços, devido aos custos crescentes com a introdução do postulado do utilizador/pagador e também a degradação da qualidade dos serviços prestados.
À retirada de direitos tem respondido a população com o protesto na rua, muitas vezes a partir de manifestações espontâneas que depois dão origem a movimentos organizados, cuja evolução nem sempre tem sido acompanhada pelo MUSP.
Por último o Encontro Nacional será certamente o momento para definir um conjunto de medidas no sentido de dar mais visibilidade ao MUSP e à sua Direcção, avançar na estruturação do movimento com o objectivo de alargar a sua influência a outras regiões do país e aproximar mais a direcção da base do movimento.


2 – A evolução dos Serviços Públicos em Portugal.

Os processos de privatização e liberalização de serviços públicos e bens essenciais como: a Administração Pública; o ambiente; a comunicação social; a educação; a energia; a justiça; a saúde; a segurança social; as telecomunicações; os serviços postais; os transportes e acessibilidades, são parte integrante de uma política que adoptou e adaptou o Estado à tese neo-liberal de “menos Estado, melhor Estado”.
O encerramento de serviços de proximidade como acontece na saúde, nos correios, na justiça, na segurança, na energia e na educação a par de outras medidas nos transportes públicos de passageiros com a redução ou mesmo o encerramento de algumas carreiras, ou ainda a introdução de portagens em zonas onde as alternativas não são aceitáveis, bem como o sistemático aumento dos custos com estes serviços, são a expressão mais visível das alterações introduzidas com a política de desresponsabilização do Estado que temos vindo a assistir.
O Estado tem-se assumido cada vez mais como instrumento dos poderosos, e em especial na recomposição de grandes grupos económicos privados, através da privatização de sectores estratégicos, como em relação aos serviços públicos. De salientar igualmente as políticas de enfraquecimento dos mecanismos de fiscalização e controlo da actividade governativa, tornando-se prática corrente a subordinação a interesses privados do aparelho de Estado.
Os impactos destas medidas para os trabalhadores e para o nosso povo têm-se traduzido na perda de direitos sociais e até civilizacionais, na agudização de fracturas e desigualdades sociais, na multiplicação de assimetrias.

2.1. Caracterização Sectorial

2.1.1Saúde
O prosseguimento da política de encerramento de unidades e serviços de saúde de forma indiscriminada e com falsos argumentos tem como consequências mais visíveis: maiores dificuldades de acesso aos serviços públicos de saúde por parte dos mais carenciados, nas áreas suburbanas e um maior isolamento de quem reside em vastas zonas do interior do País.
O reduzido investimento feito ao longo dos anos nos cuidados de saúde primários e uma aposta, sobretudo nos cuidados hospitalares, agravou a situação existente nos Centros de Saúde, situação que está longe de ser resolvida apesar da implementação das Unidades de Saúde familiar (USF).
Na área dos medicamentos a política do Governo, tal como o ex- Ministro da Saúde, Correia de Campos confirmou no livro que agora publicou, tem sido de transferência de custos para os utentes e de poupança para o Estado, ao mesmo tempo que aumentam os ganhos das Multinacionais que os produzem.

2.1.2 Transportes Públicos
No sector dos transportes públicos as medidas governamentais apontam claramente para a aplicação do princípio do utilizador/pagador, alienando por completo a componente social do serviço público de transportes, de que são exemplo as tentativas de acabar com o passe intermodal. Se fossem concretizadas estas medidas, a mobilidade dos utentes, seria drasticamente limitada e aumentadas as assimetrias já existentes entre as regiões.

2.1.3 Acessibilidades e Mobilidade
A situação de completo abandono a que muitas áreas do país e muitos milhares de cidadãos aí residentes são votados, por falta de infra-estruturas básicas, pela supressão de transportes e encerramento de serviços públicos é preocupante, tendo mesmo relação directa com o abandono e insucesso escolar ao nível das crianças e problemas de saúde na área dos idosos.
Para combater estes e outros problemas é necessário que o Governo tome decisões e medidas, nomeadamente a não introdução de portagens nas SCUTS que servem essas zonas e melhoria dos respectivos transportes.

2.1.4 Correios e Telecomunicações
No Sector dos correios e telecomunicações, independentemente da aparente situação de acalmia e estagnação , mantêm-se em aberto as intenções do Governo e administração dessas empresas de procederem à privatização das áreas mais rentáveis, por um lado, e à alienação das suas responsabilidades naquelas menos lucrativas por outro.
Assim tem acontecido nos CTT, com a pontual mas programada entrega de estações e postos de correios a particulares, com a redução de serviços e horários de atendimento, bem como com a quebra da obrigatoriedade da distribuição diária, geral e universal da correspondência, pondo também em causa a sua confidencialidade com prejuízo para os utentes, trabalhadores e regiões.

2.1.5 Electricidade e Gás
Nas áreas da electricidade e gás são escassos os investimentos feitos, quer ao nível das obras novas, quer na manutenção das infra-estruturas que existem, situações que originam cortes constantes e prolongados de energia em diversas áreas e mesmo falta de electricidade em outros locais de construção urbana mais recente.
No abastecimento de gás devido à falta de fiscalização sobre os trabalhos e à deficiente qualidade dos mesmos são cada vez mais frequentes as explosões com resultados alarmantes ao nível da própria vida das pessoas e prejuízos materiais que em diversas situações ninguém assume responsabilidades.

2.1.6 Água e Ambiente
O Governo continua apostado em concretizar a aplicação da famigerada lei da água que permite aos grandes grupos económicos fazerem negócio à custa de um bem comum.
Se tal objectivo se viesse a concretizar duas situações aconteceriam de imediato, os preços pelo consumo aumentariam e a qualidade dos serviços e da água diminuiriam como aliás acontece em municípios que já concessionaram a privados a prestação destes serviços.
Situação também preocupante, porque degrada a qualidade do ambiente e prejudica a saúde pública, é a falta de equipamentos para tratamento dos esgotos domésticos e outros resíduos.

2.1.7 Educação
A educação assume-se como um investimento estratégico fundamental para o desenvolvimento do país e dos portugueses. Ao contrário o Governo continua a apostar numa estratégia de desresponsabilização não cumprindo com as suas responsabilidades constitucionais, nomeadamente o de garantir a gratuitidade, o acesso e sucesso escolares a todos os portugueses em igualdade. É neste contexto que se enquadra a lógica elitista e economicista e o apoio crescente ao ensino privado. As mais de 3500 escolas do 1º ciclo do ensino básico que encerraram desde o inicio da legislatura são também expressão concreta da estratégia de ataque à Escola Pública.

2.1.8 Segurança Social
Independentemente da importância que representa para os trabalhadores desempregados ou em situações de doença, para os reformados e pensionistas e ainda para os cidadãos que se encontram em situação de pobreza ou exclusão social, o Governo cedendo aos interesses dos grupos representantes do capital privado tem desferido constantes e graves ataques ao sistema publico de segurança social, cujas consequências já hoje são visíveis na redução dos valores das pensões à custa de alterações dos critérios para a sua atribuição e nos elevados custos económicos e sociais derivados de um modelo que assenta na fragilização do aparelho produtivo nacional.

2.1.9 Sector Financeiro
O colapso de grandes empresas financeiras nos EUA, com graves repercussões na Europa, são apenas uma parte da grave crise financeira e da economia real, cujas consequências ainda hoje não podem ser determinadas em toda a sua extensão. Entretanto, o governo português limita-se a procurar sossegar a opinião pública em vez de ser parte activa no encontrar de soluções que permitam aliviar o sufoco financeiro das famílias e dinamizar a economia real.
De facto, nunca como em 2007/2008 a banca e a indústria financeira tiveram tantos e tão desproporcionados lucros. Também nunca houve tanto crédito mal parado e tantas famílias com dificuldades assumidas.
Embora seja esta a realidade a publicidade e os apelos ao consumismo e ao recurso ao crédito persistem de forma agressiva.

2.1.10 Entidades Reguladoras
A constituição das Entidades Reguladoras nomeadas pelo Governo com ou sem a intervenção da Assembleia da República têm funcionado mais como entidades defensoras das decisões e políticas do Governo do que arbitrar e harmonizar interesses contraditórios entre utentes e prestadores de serviços.


2.2 Balanço da actividade do MUSP
O trabalho desenvolvido pelo MUSP, Comissão Dinamizadora e Grupo Permanente, enquanto órgãos de direcção e coordenação do Movimento ficaram aquém das expectativas e necessidades, saídas do 7º Encontro Nacional.
Não conseguimos, nomeadamente:
- O reforço organizativo;
- Ultrapassar dificuldades logísticas e outras com que o Grupo Permanente se confronta;
- A presença de todas as Comissões de Utentes que integram a Comissão Dinamizadora nas reuniões realizadas nestes 11 meses de actividade;
- Contribuir para a constituição de Comissões de Utentes em mais zonas do país;
Essa realidade, contudo, não impediu o regular funcionamento do Grupo Permanente com o empenhamento de muitas Comissões e Associações de Utentes, o êxito de acções de luta, protesto, reivindicação, em defesa dos serviços públicos.

2.2.1 Pelo seu impacto e visibilidade destacamos:
- Várias acções junto ao Ministério da Saúde, em que resultou reuniões com responsáveis políticos desse ministério.
- O enorme “buzinão” em todo o país, contra o aumento dos combustíveis, do custo de vida e das portagens na ponte 25 de Abril.
- A reivindicação da efectivação do anunciado “gasóleo profissional” para os transportes públicos de passageiros, incluindo o sector dos táxis.
- A aplicação do passe social intermodal a todos os operadores de transportes públicos e em todas as regiões do país.
- Conferências de imprensa e notas à comunicação social.
- Participação em reuniões com várias entidades, institucionais e partidárias, estruturas sindicais e na comissão promotora da campanha “água é de todos, não o negócio de alguns”.


3 – O Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos (MUSP). Estrutura e funcionamento.
O Movimento que hoje integra na sua estrutura mais de 100. Comissões de Utentes de várias áreas de actividade: saúde; portagens; água e comunicações, muitas delas sem actividade regular, tem na Comissão Dinamizadora e no Grupo Permanente os órgãos de direcção e coordenação, pelo que se impõe, neste Encontro Nacional, reflectir sobre o seu funcionamento e a sua ligação à base da estrutura.
Desde logo o facto de, sendo o Movimento integrado por homens e mulheres que têm a sua actividade profissional própria e a sua vida familiar, estabelecida segundo padrões por eles definidos, a participação individual nas reuniões e nas iniciativas nem sempre é a mais adequada. Encontrar soluções que visem facilitar a participação daqueles que assumem responsabilidades a este nível é por isso uma tarefa prioritária.
Uma segunda questão é a que resulta de termos um Movimento que tem uma estrutura em forma de pirâmide, com o vértice muito afastado da base. Aproximar as várias componentes da estrutura, criando condições para um maior envolvimento das Comissões de Utentes no processo de discussão e decisão é igualmente uma prioridade.
Por fim o Encontro Nacional deve definir um plano de trabalho que permita a integração de mais Comissões, dinamizando e organizando os movimentos de protesto e defesa dos direitos em vastas regiões do país, onde por vezes apenas falta alguém que tome a iniciativa de avançar.
Os últimos três anos que ficaram marcados por um forte crescimento das movimentações das populações em torno da defesa de direitos constitucionais e outros adquiridos ao longo dos anos através da luta, como aconteceu particularmente ‑­
nas áreas da saúde, da educação, transportes públicos de passageiros e contra o aumento das portagens, identificaram possibilidades de alargamento do MUSP que importa agora concretizar. Alargamento não apenas em número de comissões, mas também na diversidade de áreas de intervenção. As áreas da justiça e segurança interna, dos combustíveis e das linhas de alta tensão e as portagens, são áreas onde potencialmente o movimento pode crescer. Nos próximos anos a questão da Banca, particularmente os problemas em torno do aumento das taxas de juro, poderá ser uma das novas áreas de intervenção.

4- Plano de trabalho e medidas a concretizar até ao 9º Encontro Nacional
A situação de crise profunda que se vive no plano internacional e 32 anos de política de direita colocam o nosso País numa situação muito difícil com consequências para as famílias portuguesas, cuja gravidade ainda não é possível prever em toda a sua dimensão. Tal como aconteceu nos últimos três anos, o governo prepara-se para enfrentar a crise penalizando ainda mais os mesmos de sempre, com medidas que passam por uma maior desresponsabilização do Estado face às suas obrigações constitucionais.
Tudo indica que o OE para 2009, agora com o argumento da crise internacional, mantenha como orientação central a redução da despesa pública, com um crescimento abaixo da taxa de inflação do orçamento para a saúde, educação e segurança social. Simultaneamente vamos ter as chamadas Entidades Reguladoras a facilitarem a vida das empresas que prestam serviços essenciais de modo a que os lucros dessas empresas se mantenham a níveis obscenos.
Assim 2009 vai ser um ano de maiores dificuldades para os portugueses que verão o seu poder de compra mais reduzido e maiores dificuldades no acesso aos serviços públicos e bens essenciais. Neste quadro cabe ao MUSP a responsabilidade de dinamizar o protesto e encontrar as soluções orgânicas que mais contribuam para uma melhor articulação da luta. Para que possa cumprir integralmente o seu papel o MUSP terá de se estruturar e reforçar o papel dirigente da sua direcção.

4.1 - Para uma resposta mais eficaz na defesa dos direitos dos utentes, o 8º Encontro Nacional do MUSP, decide:

4.1.1 - No plano da estruturação:
Encetar um conjunto de contactos e reuniões com o objectivo de garantir a adesão ao MUSP do conjunto de comissões em actividade que ainda não deram esse passo e em simultâneo ganhar as comissões que estão inactivas para que regressem à actividade regular.
Criar um grupo de trabalho que estude um conjunto de medidas que permitam encurtar a distância entre a direcção do Movimento (Comissão Dinamizadora) e as ‑­
Comissões de Utentes.

4.1.2 - No plano da direcção:
- Definir de forma mais adequada os dias e os locais das reuniões da Comissão Dinamizadora, para que desta forma aumentem os níveis de participação nas reuniões do órgão.
- Dar maior eficácia à Comissão Permanente tendo como critérios para a sua formação, a disponibilidade para o trabalho e/ou a proximidade geográfica entre os seus membros.
- Realizar até Março de 2009 uma reunião nacional com as comissões que integram o MUSP para debater as propostas a apresentar pela Comissão Dinamizadora nos planos da estruturação e da direcção.

4.2 - Iniciativas a desenvolver pelo MUSP:

· Elaborar o guia dos utentes dos serviços públicos com o objectivo de sistematizar o conjunto dos direitos dos utentes e algumas reivindicações em torno das quais se deve desenvolver a luta;
· Propor aos sindicatos representativos dos trabalhadores da Administração Pública central e local, a realização de uma iniciativa nacional em defesa dos serviços públicos, iniciativa a realizar no âmbito das comemorações do 25 de Abril;
· Apesar de uma parte substancial da banca estar nas mãos do sector privado e tendo em conta a crise no sector financeiro que se repercute na vida dos portugueses, e que por isso o papel da CGD pode ser determinante no arrastamento dos outros bancos para medidas que despenalizem os utentes, o 8º Encontro Nacional decide realizar no início do próximo ano, uma iniciativa de protesto contra o aumento das taxas de juro e a existência de comissões bancárias com valores desproporcionados e algumas até inaceitáveis.
· Voltar à rua em defesa do Serviço Nacional de Saúde numa iniciativa de âmbito nacional a propor aos sindicatos, autarquias e associações de doentes do sector, sendo precedida de uma reunião nacional das Comissões de Utentes da Saúde a acontecer até final de Janeiro de 2009.
· Realizar o 9º Encontro Nacional, no último trimestre de 2009, em dia e local a definir.

5. Reivindicações dos Utentes dos Serviços Públicos

Considerando a gravidade que os problemas referidos na presente proposta de resolução representam para os utentes dos serviços públicos, como o aumento das dificuldades de acesso aos mesmos por culpa do aumento dos seus custos, encerramentos e privatizações com o consequente aumento da sua degradação, situações que se enquadram perfeitamente numa lógica capitalista de quanto menos Estado melhor Estado promovida pelos sucessivos governos com particular relevo para o actual, o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos – MUSP exige ao Governo:

5.1 Saúde
- Um Serviço Nacional de Saúde público, universal, geral, gratuito, eficiente e eficaz.
- Criação de uma rede nacional de cuidados continuados e paliativos.
- Abolição das taxas moderadoras e de internamento.
- Fim do processo das privatizações e de encerramento de serviços.
- Redução dos custos dos medicamentos a suportar pelos utentes à custa da redução das margens de lucro da indústria farmacêutica.
- Criar as condições necessárias para serem eliminadas as listas de espera.
- Assegurar que os cidadãos portadores de Sida e toxicodependentes sejam apoiados na prevenção e tratamento.
- Instalação de cuidados de saúde oral, nutricionistas, fisioterapeutas, psicologia e oftalmologia nos centros de saúde e hospitais onde ainda não estejam instalados.
- Construção de hospitais e centros de saúde no âmbito do sector público.
- Pôr fim à promiscuidade público/privado no SNS.
- Manutenção dos ainda existentes e reabertura dos Serviços de Atendimento Permanente apetrechando-os com os equipamentos necessários e adequados às necessidades dos utentes.

5.2 Transportes
- Não ao aumento dos passes sociais e dos restantes títulos de transporte.
- Dedução no IRS dos valores relativos aos custos dos transportes mediante apresentação dos recibos dos passes sociais e dos outros títulos de transporte.
- Alargar a área geográfica das coroas já servidas com os passes sociais e integrar no sistema todos os operadores de transportes colectivos de passageiros.
- Alargar a mais áreas do país a utilização do passe social, com a inclusão de todos os operadores.
- Melhoria dos abrigos com mais informação e conforto e a criação de mais vias BUS e incentivos aos operadores para utilizarem combustíveis não poluentes.
- Criação do gasóleo profissional com preço fixo anual.
- Instalação das Autoridades Metropolitanas de Transportes.
- Encerrar o processo das privatizações das Empresas Públicas de Transportes de passageiros.
- Construção de parques interfaces nas periferias dos centros urbanos para serem evitadas as entradas de veículos nos mesmos.
- Cumprimento integral por parte das empresas dos percursos que constam dos contratos de concessão.

5.3 Acessibilidades e Mobilidade
- Não à instalação de portagens nas SCUTS e acabar com as portagens das pontes que atravessam o Rio Tejo.
- Construção de novas vias de circulação e melhorar a qualidade dos pisos e da sinalética das que já existem.
- Melhorar e reactivar a circulação dos transportes colectivos de passageiros nomeadamente em zonas mais do interior do país.
- Eliminar nos espaços urbanos as barreiras arquitectónicas.
- Melhorar a mobilidade interurbana.

5.4 Correios e telecomunicações
- Manutenção dos Serviços de Correios no âmbito do Sector Público Administrativo.
- Não ao encerramento de postos e estações dos CTT.
- Não à concentração de operadores de telecomunicações, obrigatoriedade de tarifas planas e menores prazos de fidelização.
- Colocar o avanço tecnológico ao serviço de todo o território nacional.
- Cumprimento do contrato de prestação do serviço público de correios com a distribuição diária em segurança e de qualidade em todo o território nacional.

5.5 Electricidade e Gás
- Adequar os preços da energia aos rendimentos das famílias e das necessidades competitivas do sector económico nacional.
- Medidas e acções que ganhem as famílias para a poupança de energia.
- Construção de novas infra-estruturas e manutenção mais cuidada das existentes para eliminar situações de carência de energia ainda existentes.
- Melhor e mais apertada fiscalização sobre os trabalhos para instalação de gás.
- Sendo sectores estratégicos o Governo deve garantir uma influência decisiva na gestão de algumas das empresas mais importantes, para defender os interesses dos utentes.

5.6 Água e Ambiente
- Revogação da Lei Quadro da Água
- Fim da concessão privatização dos serviços de abastecimento de água.
- Garantir a qualidade da água.
- Implementar em todo o país e mantê-los em bom estado de funcionamento sistemas para tratamento das águas residuais e dos lixos.
- Garantir os recursos materiais, humanos, técnicos e financeiros adequados e uma gestão pública de qualidade para impedir a mercantilização e privatização da natureza.

5.7 Educação
- Investir e valorizar o ensino público em vez de favorecer o privado.
- Cumprimento dos direitos constitucionais para defesa da Escola Pública e das condições de equidade para todos.
- Alargamento do ensino obrigatório até ao 12º ano de escolaridade.
- Alargamento da rede pública do pré-escolar a todas as crianças a partir dos três anos inclusive, acompanhadas das condições necessárias.
- Fim das propinas e o aumento das verbas para a acção social escolar.
- Construção de creches públicas.

5.8 Segurança Social
- Defesa do sistema público, universal e solidário da segurança social como garante de novas políticas sociais para uma mais justa e equilibrada repartição do rendimento nacional, combatendo as injustiças e desigualdades sociais.
- Consolidar a sustentação financeira do sistema público com a aplicação de medidas que responsabilizem o Estado e as empresas de capital intensivo.
- Suspensão dos critérios de sustentabilidade e dos de atribuição das prestações sociais que visam a redução dos valores das reformas e subsídios.
- Aumento dos valores das prestações sociais mais baixas e criação de novas prestações para fazer face a novos riscos sociais.
- Abertura em diversos locais do país de mais balcões da segurança social (lojas da solidariedade).

5.9 Serviços Financeiros
- Não às taxas Multibanco,
- Redução das taxas de juro para crédito à habitação.
- Que a Caixa Geral de Depósitos funcione como reguladora para a aplicação dos valores do spread para os empréstimos para compra de habitação.
- Obrigatoriedade dos bancos afixarem nos balcões os valores das taxas cobradas aos utentes pelos serviços prestados

5.10 Justiça
- Adequação dos valores das taxas para acesso aos tribunais aos rendimentos das famílias.
- Não ao encerramento de serviços, funcionamento e organização dos serviços administrativos respeitando os princípios de proximidade e acessibilidade.
- A informatização dos serviços deve considerar toda a população sem que ninguém seja excluído.

5.11 Entidades Reguladoras
- No cumprimento das suas responsabilidades e deveres consagrados na Constituição o Governo deve de intervir regularizando e orientando as actividades económicas no respeito pelos princípios e instrumentos de planificação.
- Por intermédio dos seus representantes, os utentes devem fazer parte dos órgãos das entidades reguladoras.







15/10/08

Lançamento da Campanha “Água é de todos, não o negócio de alguns”

Caros(as) Amigos(as),
O lançamento da Campanha “Água é de todos, não o negócio de alguns” constitui um desafio que não podia ter maior actualidade.
Na verdade, Portugal está numa fase crucial. O governo, ao arrepio dos interesses e necessidades do país, continua a prosseguir uma estratégia que visa a privatização e transformação em negócio da captação, gestão e distribuição de água, como a venda recente da empresa de capitais públicos Aquapor ilustra.

mais informações em http://www.aguadetodos.com/


Constituição Conselho Consultivo da Missão de Cuidados de Saúde Primários

Em Maio do ano Corrente foi anunciada a criação da estrutura referida em título para a área dos cuidados de saúde primários.
Após tal anúncio o Conselho foi constituído com base num conjunto de personalidades ligadas ao sector da saúde e presidido pelo actual director da Escola Nacional de Saúde Pública.
Para além destes integra também o referido Conselho um membro em representação da DECO, independentemente de nada nos mover contra tal organização lamentamos e condenamos que em desfavor do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos – MUSP, Movimento que em conjunto ou parceria com as Comissões de Utentes da Saúde tem feito muito trabalho em defesa dos direitos dos Utentes, o Ministério tenha optado por considerar na composição do Conselho a referida organização.
Considera o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos – MUSP que ao deixar de fora uma componente das mais importantes, senão mesmo a mais importante da área da saúde, que são os Utentes representados pelo Movimento de Utentes dos Serviços Públicos – MUSP, o Ministério fragilizou o Conselho e vota, em mais uma ocasião, os Utentes ao abandono.
Face ao que referimos, permitimo-nos manifestar o nosso veemente e indignado protesto, solicitando em simultâneo que seja considerada a integração no Conselho Consultivo do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos – MUSP.

Grupo Permanente do MUSP

Nota à Imprensa


Tipo quero, posso e mando e perante a passividade do Governo as empresas petrolíferas continuam a comercializar os combustíveis aos preços que muito bem entendem e querem, situação que acentua como já em diversas oportunidades referimos as dificuldades económicas e financeiras das famílias e empresas, com implicações graves ao nível da própria economia nacional.
Não é compreensível e muito menos admissível que havendo uma tão significativa redução nos custos da aquisição do petróleo (entre 50 a 60 dólares por barril) o preço dos combustíveis se mantenha nos valores actuais.
Referia o Governo na altura em que liberalizou os preços dos combustíveis que a concorrência iria contribuir para os reduzir, pura mentira e o Governo sabia bem que tal decisão iria sim permitir que as empresas ficassem com as mãos livres para aumentar os preços quando e como quisessem, que à custa desses aumentos e do sacrifício das famílias e das empresas o Governo iria arrecadar mais dinheiro do imposto cobrado sobre os preços dos combustíveis e que também as petrolíferas aumentavam os seus lucros como tem acontecido.
Porque espera o Governo para tomar as medidas que se impõem obrigando estas empresas a praticar os preços em função dos custos da aquisição do petróleo, em Portugal comparativamente como a maioria dos países da Europa foi onde os preços dos combustíveis mais subiram e onde menos têm descido é um escândalo.
Face aos muitos protestos então manifestados o Governo anunciou em Maio ou Junho que a partir do dia 1 de Julho (inclusive) seria criado para a área dos transportes públicos o denominado gasóleo profissional, porque espera o Governo para concretizar tal anúncio.
Considerando as situações descritas o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos – MUSP exige ao Governo que obrigue as empresas petrolíferas a baixar consideravelmente os preços dos combustíveis, que crie de imediato o gasóleo profissional com um preço de aquisição tabelado para o ano e que os preços dos títulos (bilhetes e passes) dos transportes públicos sejam também reduzidos.
Mais se permite o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos – MUSP exortar as populações a manifestarem o seu protesto e desagrado face a tão grande escândalo, exigindo que o Governo assuma as suas responsabilidades em defesa das mesmas contra os lucros especulativos das empresas petrolíferas.

Grupo Permanente do MUSP




O escândalo do aumento dos combustíveis continua

Enquanto o preço do barril do petróleo continua a descer o custo dos combustíveis nas bombas de abastecimento portuguesas continuam a aumentar.
Quando o que há já algum tempo se impunha face à descida acentuada dos preços do petróleo era a redução dos custos dos combustíveis, transportes e bens de primeira necessidade, as empresas petrolíferas optam por aumentar os custos dos combustíveis numa atitude que consideramos de provocatória para os seus clientes, sem que o Governo tome as medidas que há muito vêm sendo exigidas e reclamadas por muitas estruturas e entidades onde o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos – MUSP se integra.
Enquanto os clientes continuam a sentir agravar-se as suas dificuldades económicas as empresas petrolíferas e os grandes grupos económicos a elas ligadas continuam a ver aumentar os seus lucros astronómicos.

Grupo Permanente do MUSP




02/07/08

Aumentos dos custos dos bilhetes dos transportes colectivos de passageiros

Lisboa, 27 de Junho de 2008

A partir do próximo dia 1 de Julho inclusive os portugueses que não tenham acesso ao passe social para viajarem nos transportes colectivos de passageiros vão ter de pagar mais cerca de 6% nos custos dos bilhetes.
A grande maioria dos cidadãos que vão sentir tais aumentos com implicações sérias no agravamento das suas dificuldades económicas residem nas zonas fora das área metropolitanas de Lisboa e Porto, com esta discriminação promovida pelo Governo que mais uma vez não hesitou em ceder às pressões das empresas de transportes colectivos de passageiros que exigem a manutenção dos seus lucros condenando a maioria dos portugueses e respectivas famílias a suportarem sós os sucessivos aumentos dos combustíveis, argumento utilizado para os aumentos dos bilhetes.
Condenando mais esta decisão do Governo o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos – MUSP manifesta-se contra os aumentos dos bilhetes dos transportes públicos exigindo em simultâneo o alargamento do passe social a toda a área geográfica do país e a todos os operadores de transportes colectivos de passageiros.

Grupo Permanente do MUSP

Documento entregue à Ministra da Saúde


Exma. Sra. Ministra da Saúde

Preocupações do Movimento de Utentes dos serviços Públicos – MUSP

Lisboa, 27 de Junho de 2008

Independentemente de terem ocorrido mudanças dos responsáveis políticos no Ministério da Saúde V. Exa. Substituiu o Dr. Correia de Campos, as orientações políticas essas não sofreram qualquer alteração continuando em nosso entender a privilegiar os interesses dos grupos económicos em claro prejuízo dos respectivos utentes e do próprio Serviço Nacional de Saúde.
Servem como exemplos para as preocupações que temos manifestado em conjunto com muitos milhares de cidadãos, o encerramento de maternidades, serviços de atendimento permanente, serviços de urgências, aumentos das taxas moderadoras e a criação de outras, aumentos dos medicamentos, criação das U.S.F., agravamentos dos custos da saúde e concessão de serviços a entidades públicas e privadas, listas de espera para consultas externas, intervenções cirúrgicas e de várias especialidades.
A maioria das situações descritas aconteceram ou acontecem na sequência de decisões políticas cujo objectivo prioritário é a redução da despesa pública para cumprimento do défice ordenado por Bruxelas sem ter em consideração os direitos dos utentes e a melhoria do funcionamento do Serviço Nacional de Saúde, dotando-o dos meios técnicos e humanos necessários para aumentar a sua capacidade de resposta às necessidades das populações e a qualidade dos serviços.
Como opção a tais investimentos e cedendo às pressões dos grupos económicos o Governo tem apostado claramente na privatização de áreas significativas dos serviços de saúde nomeadamente as geradoras de lucros, continuando na órbita do sector público as não rentáveis, permitindo tais cedências que à custa da saúde dos portugueses e da própria economia nacional sejam feitos chamados negócios como é o caso do Hospital Amadora/Sintra.
São estes para além de muitos outros os problemas que preocupam quer o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos – MUSP quer os muitos milhares de cidadãos que de Norte a Sul do país têm promovido muitas acções e iniciativas de protesto e reivindicação ora lutando contra o encerramento ou redução do horário de funcionamento de serviços ora exigindo a reabertura de outros entretanto encerrados ou lutando ainda pela construção ou conclusão de instalações há muito prometidas mas constantemente adiadas.
Face ao exposto e à necessidade de em conjunto discutirmos e abordarmos estes problemas com o objectivo de serem encontradas soluções para salvaguardar os direitos dos utentes do SNS e do próprio, que voltamos a insistir na marcação de uma reunião.
Com os melhores cumprimentos, somos

Grupo Permanente do MUSP